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sexta-feira, 5 de junho de 2009

TAXA DE ABANDONO ESCOLAR NA EUROPA - Pergunta apresentada no Parlamento Europeu à Comissão, em 2007

"Segundo as estatísticas oficiais publicadas pelo Eurostat para 2006, a taxa de abandono escolar dos jovens europeus entre os 18 e os 24 anos de idade é de 15,3%.


Em 14 Estados-Membros, porém, este indicador excede a média europeia. As taxas mais elevadas de abandono escolar verificam-se em Malta (41%), Portugal (39,2%), Espanha (29,9%), Islândia (26,3%), Itália (20,8%), Lituânia (19%) e Roménia (19%).


A União Europeia propôs, através da Estratégia de Lisboa, elevar a taxa de emprego para 70% até 2020. No contexto do aumento da produtividade do trabalho, a mão-de-obra requer no entanto ainda mais formação.


Que medidas tenciona a Comissão Europeia tomar a fim de reduzir a taxa de abandono escolar?"


NOTA: Leia-se este artigo sobre o abandono escolar de estudantes portugueses no Canadá: http://diario.iol.pt/noticia.html?id=653838&div_id=4202


Quanto à Taxa de Analfabetismo, convém ler este texto, onde se diz que, em 1991/92, se aproxima de 10%: http://www.liberdade-educacao.org/doc_avaliacao/dezporcento.htm


Não fará tudo isto pensar sobre se não haverá razões bem profundas que dão origem a estes resultados?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PIB português é o mais baixo da Zona Euro

Eis mais um exemplo do que, ao longo dos séculos, a nossa situação periférica na Europa - realidade complexa a que me refiro no início deste blogue - nos foi causando, pelas mais variadas razões. Esta nossa crónica situação económica tem obviamente muitas explicações, evidentemente, e decorre essencialmente de posturas individuais e colectivas, de hábitos de trabalho, de questões relacionadas com o espírito de iniciativa ou ausência dele, com o conformismo perante o que se presencia, também com a escassez de recursos naturais internos, com factores culturais e talvez até genéticos, etc. Embora este artigo do PÚBLICO se refira a valores de 2007 e já esteja ultrapassado nalguns dos seus dados (até porque a actual crise financeira e económica veio alterar algumas posições), a realidade portuguesa fica aqui espelhada, pois pouco se alterou. Há quem diga que não temos dimensão geográfica e, por consequência, estrutural, para criarmos riqueza própria...Pergunto: e os Países-Baixos, com a sua poderosa indústria electrónica - por exemplo - cujos produtos são exportados para todos os cantos do mundo? E a Suiça, com a sua reconhecidíssima indústria de relojoaria, por exemplo, e tantas outras?
Abaixo, o artigo do Jornal "PÚBLICO":




Fonte: Eurostat


"O PIB per capita português é o mais baixo da Zona Euro
17.12.2007 - 17h10 Lusa
O Produto Interno Bruto (PIB) português medido em unidades de poder de compra situou-se em 2006 em 75 por cento da média europeia, sendo o mais baixo da zona euro, segundo dados do Eurostat publicados hoje no Luxemburgo.


O departamento de estatísticas europeu indica que o PIB português por habitante passou de 76 por cento da média da UE em 2005 para 75 por cento em 2006, nível que apresentava em 2004.


Portugal tem um dos valores mais baixos da UE a 27 e é ultrapassado por quatro Estados-membros que aderiram em 2004: República Checa (77 por cento), Malta (77 por cento), Chipre (92 por cento) e Eslovénia (88 por cento).


Entre os países que integram a zona euro, cujo rendimento médio é superior em 10 por cento à média da UE a 27, Portugal apresenta o PIB per capita mais baixo.


O PIB per capita medido em unidades de poder de compra variou em 2006 entre os 37 e os 280 por cento da média da UE a 27, voltando a agravar-se no seio da União o fosso entre os mais pobres e os mais ricos .


O Luxemburgo reforçou em 2006 a liderança desta classificação com um PIB por habitante duas vezes e meia superior à média da UE (280 por cento, contra 265 um ano antes), enquanto a Irlanda estava cerca de 50 por cento acima da média (146 por cento).


A Bulgária mantinha a última posição com um PIB equivalente a 37 por cento da média (contra 35 um ano antes).


A Holanda, Áustria, Dinamarca, Bélgica e Suécia situavam-se aproximadamente entre 20 à 30 por cento acima da média.


O Reino Unido, a Finlândia, a Alemanha e a França estavam entre 10 a 20 por cento acima da média, enquanto a Espanha, a Itália e a Grécia estavam na média.


Em Chipre e na Eslovénia, o PIB per capita estava 10 por cento abaixo da média dos 27, enquanto na República Checa, Malta e em Portugal ele era entre 20 a 25 por cento inferior. Estónia, Hungria e Eslováquia tinham rendimentos inferiores em 35 por cento, enquanto a Lituânia, a Letónia e a Polónia estavam entre 40 a 50 por cento abaixo.


A Bulgária e a Roménia apresentavam os rendimentos per capita mais baixos da UE (de 37 e 39 por cento respectivamente)."




Artigo do Jornal "PÚBLICO" cuja data não me foi possível apurar.

terça-feira, 26 de maio de 2009

SOMOS UMA PEQUENA ECONOMIA DEMASIADO FECHADA

O presidente da Associação Empresarial de Portugal, que falava na Âlfandega, no Porto, no seminário da AICEP no âmbito da Semana Europeia das PME - Pequenas e Médias Empresas, salientou que desde a adesão à União Europeia, a parcela da produção nacional exportada "aumentou uns meros 3,3 pontos percentuais, de 31,3% para 33,6%".


É uma evolução que o dirigente associativo compara com os números da Áustria, onde as exportações passaram de 35% para 60% do PIB entre 1995 e 2008.


Na sua intervenção, José António Barros manifestou, ainda, preocupação pela "excessiva concentração das nossas exportações num número reduzido de empresas". Os números que apresentou, relativos a 2006, mostram que em 350 mil empresas nacionais, apenas 28 mil tinham clientes no exterior e, neste grupo, as 20 maiores representavam 30% do valor das exportações.


Apontando o impacto do desequilibrio da balança comercial na dívida externa do país, o presidente da AEP sublinha que "quase metade do desequilibrio externo português é já devido aos rendimentos líquidos pagos ao exterior, que correspondem, na sua esmagadora parte, a rendimentos de capital".


Face a este diagnóstico, a AEP considera que a melhoria do saldo comercial exige ganhos de produtividade, "num contexto de moderação salarial", mas que mais do que produzir de forma eficaz, Portugal tem, também, de "vender eficazmente" e diversificar mercados.


É um cenário que exige a redução da dependência nacional da União Europeia, que chegou a superar 80% das exportações e onde o caminho sugerido pela AEP aponta alternativas como Angola, Singapura, Brasil e Rússia, países para onde as exportações nacionais cresceram já entre 20% a 30% em 2008.


Nota no final do artigo: Portugal é, a seguir à Grécia, o país da UE onde o peso das exportações no PIB é mais baixo, alerta José António Barros.


In: EXAME - EXPRESSO

segunda-feira, 13 de abril de 2009

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TGV SIM, OU TGV NÃO?

A propósito de periferia - TGV sim, ou TGV não?
Não se deve inferir do que segue que se concorda com o esbanjamento de dinheiros públicos. Sempre os critiquei e sempre achei e acho que precisamos de muito investimento em saúde, na justiça, na educação, etc. Nestas áreas não se pode contudo negar que também se está a fazer muito, ou o possível, embora fosse necessário fazer ainda mais, sobretudo na Justiça e noutra política de saúde. Muito teríamos de conversar sobre estes assuntos.

O TGV e o novo Aeroporto

Temos de tirar o país do marasmo em que vive desde há séculos. Basta de “pequenez” e de modéstia ”pelintra”. Tanto mais que estes investimentos poderão de facto atrair o investimento privado nacional e estrangeiro (assim os estudos de viabilidade económica os atraiam, e a actual crise financeira mundial se esbata) e criar muito emprego não epenas temporário, em virtude das repercussões económicas em cascata que provocarão. Trata-se dos tais investimentos estruturais de que a nossa economia tanto necessita e que a estimularão.
Foi precisamente por terem investido a seu tempo em comboios de muito alta velocidade (TGV-Trains Grande Vitesse ou outros), em aeroportos e noutras infra-estruturas do género, que os espanhóis conseguiram alcançar o nível de desenvolvimento económico de que hoje desfrutam. A Espanha, que até antes da actual crise internacional, passou por uma fase de grande desenvolvimento económico, está atravessada por TGVs em várias direcções! O aeroporto de Málaga, que nem é a capital de Espanha... foi ampliado e renovado em grande escala há dois anos. Os espanhóis estão também muito interessados na ligação ferroviária rápida para transporte de mercadorias com o magnífico porto de Sines, que lhes abrirá as portas do Atlântico!! Por vezes ouço comentadores esquecerem-se disto, intencionalmente ou não.

Quando deixaremos nós, portugueses de almas pequenas, de passar a vida a lamuriar-nos, dizendo que o país não necessita deste tipo de investimentos que nos permitirão finalmente acompanhar os progressos do resto da Europa e a ela ficarmos mais moderna e rapidamente ligados? Não é esse também o objectivo das instituições europeias (Comissão, Parlamento) ao proclamarem a necessidade de interligações ferroviárias rápidas entre pelo menos as capitais dos diversos países da União? E não vai a União Europeia, a Comissão Europeia, contribuir com consideráveis fundos para a realização destas obras? Vai e já contribuiu há pouco com a primeira "tranche". Veja-se



Não nos bastaram os tempos salazaristas do "orgulhosamente sós" que tantos prejuízos causaram à modernização do país? Ficámos marcados para sempre pelo bafiento salazarismo? E não se revestirão estes investimentos público/privados também de um carácter de serviço público que o Estado deverá suportar na proporção que lhe competir (se a rentabilidade económica não satisfizer por completo, pelo menos de início, os investidores privados), tal como o faz no que se refere ao ensino, à saúde, suportando em parte os custos? Um Estado não deve ter sempre desígnios mais elevados, de longo ou médio prazos?
Que ao menos e finalmente haja um governo que promove o estudo de viabilidade económica destes dois projectos, aceitando finalmente os seus resultados, pois já basta de “lamechices” e de constantes hesitações. Ficar para trás eternamente, nunca mais. O comboio ultra rápido, o TGV em direcção a Madrid (TGV ou os de outros fabricantes!), também permitirá a entrada rápida de muitos dos turistas que actualmente visitam Espanha e que, com toda a facilidade, passarão também a visitar Portugal através desta via. E assim deixarão cá os euros, os dólares e as restantes moedas que tanta falta nos fazem... Há muita gente que receia viajar de avião. Esses virão então em maior quantidade, pois de Madrid a Lisboa será um salto fácil e rápido de dar. E não se tratará apenas de turistas, mas também de gente que virá em viagens de negócios. O intercâmbio cultural, empresarial, etc. dilatar-se-á. O nosso país deixará de ser encarado como país periférico da Europa. O novo aeroporto contribuirá igualmente para o mesmo efeito e colocará o país nas rotas intercontinentais. O mundo está em evolução rápida: o que hoje é adquirido como realidade absoluta pode não o ser daqui a 10 ou 15 anos. Quanto ao TGV em direcção ao Porto, a sua necessidade é menos evidente, mas o que se pretende é pôr a funcionar um comboio ultra-rápido que ultrapasse o Porto e que vá ligar com os comboios da Galiza. Os galegos estão extremamente interessados nessa ligação que vai permitir intercâmbios rápidos nas áreas económica, social, turística e cultural. E é disso que este país tanto precisa. E eles vêem longe, não sofrem de miopia.
Temos de tirar o país do marasmo em que vive desde há séculos. Basta de “pequenez” de alma e de modéstia extrema, tanto mais que estes investimentos poderão de facto atrair o investimento privado nacional e estrangeiro (esperemos que os estudos de viabilidade económica demonstrem que, de facto, os vão atrair) e criar muito emprego que não será apenas temporário em virtude das tais repercussões económicas em cascata.
Há quem hesite? Outros concordarão e não são poucos !! Os Velhos do Restelo também hesitaram e tentaram resistir à Aventura. Apesar das suas posturas e ideias negativas, a viagem fez-se; os heróis não temem os riscos; a ousadia é a sua alma. Chegando à Índia, como chegaram, conquistaram o mar e a terra. Neste sentido, por linhas travessas ter-se-á escrito direito e foi então que, à sua maneira, Portugal foi pioneiro na globalização da economia mundial na época dos Descobrimentos.
Por outro lado, seria interessante saber que estudos de viabilidade económica se fizeram no tempo das caravelas e do Infante Dom Henrique... É claro que hoje em dia é impensável não os fazer, mas a verdade é que, naquele tempo, aqui como noutros países, o ímpeto imperava e produzia frutos. Não fora a utopia e a visão do Infante, e nunca teríamos saído daqui. E naquele tempo nem sequer se sabia bem o que se iria encontrar Além-mar e se a aventura seria rentável ou não !! A aventura, porém, valeu a pena e deu origem a um Império. Lá vieram as especiarias, lá vieram os ouros e as pratas, lá vieram os diamantes e depois o petróleo, etc. Terminou o Império e agora o país necessita de novas caravelas sob a forma de TGVs e de arrojo aeroportuário.
Repito: basta de marasmo económico e cultural e basta de chamar criminosos a estes investimentos, como tenho ouvido chamar-lhes. Basta de “pequenez” de alma.
Querem os senhores comentadores governar o país? Constituam um novo partido que poderá denominar-se “PDC - Partido dos Comentadores” ... e proponham ao Presidente da República a convocação de NOVAS eleições antecipadas (mais umas...). Se as ganharem, ofereçam-se para nos governar, já que tanta intuição têm para isso e já que ser o país governado pelo PCP/CDU ou pelo Bloco de Esquerda é impensável numa Europa de democracias-cristãs, de social-democracias e de socialismos ou trabalhismos. Então é que daqui fugiriam todos os investimentos nacionais ou estrangeiros. E lá se iriam - para mais nesta época de crise internacional - mais uns bons milhares de postos de trabalho que tanta falta fazem a famílias desesperadas.

*Não travar, para avançar*

terça-feira, 17 de março de 2009

Em situação semelhante à nossa poderá estar a Islândia, por exemplo

Em situação semelhante à nossa (cultura muito singular, modo de ser e de actuar comparáveis com o nosso sob certos aspectos devido ao isolamento histórico, embora haja diferenças, obviamente) poderá estar a Islândia, lá tão isolada e distante. Islândia que era um país até há pouco economicamente sólido e de elevados rendimentos per capita, mas que, subitamente, devido à actual crise financeira internacional, entrou em colapso e se encontra em estado de falência. Apesar do seu singular isolamento, sempre teve o comércio marítimo com os outros povos nórdicos, proporcionado pelos Vikings desde sempre, com as suas navegações. Os restantes países deste mapa da Europa Ocidental, repito, apesar de conflitos esporádicos (que sempre os houve) nunca enfrentaram uma barreira geográfica e frequentemente bélica como aconteceu com Portugal em relação à Espanha durante séculos, barreira que nos isolou de contactos mais directos com o centro da Europa. Esta matéria vai exigir muita investigação histórica e muita sociologia comparada. Espero conseguir tirar algumas conclusões. Nessas conclusões assentará a nossa psicologia colectiva, o nosso modo de ser e estar e, logo, o nosso actual e duradouro status quo económico, social e cultural.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

As Consequências da Nossa Periferia


A periferia geográfica a que o nosso país está sujeito desde o início da nacionalidade tem tido consequências profundas e de certo modo desastrosas no nosso temperamento, na nossa cultura, no nosso desenvolvimento económico e social, no modo de nos relacionarmos uns com os outros como cidadãos, na nossa forma de fazer política. etc. O facto de estarmos situados na extremidade da Europa, com a Espanha a barrar-nos a passagem para o centro do continente e até para o Mediterrâneo, devido às sucessivas querelas que com os espanhóis mantivemos ao longo dos séculos, impediu-nos de absorver, de assimilar, de modo geral e mais intenso, a genuína cultura europeia, ao nível das grandes, ou mesmo médias, massas de população. De modo geral, todos os povos da Europa mantiveram fortes contactos culturais, económicos, comerciais, artísticos, religiosos, etc. com os seus vizinhos (aqui e ali interrompidos por mais relevantes ou por, de certo modo, irrelevantes contendas). Connosco, a situação foi diferente. Encurralados entre a Espanha e o Oceano, ensimesmámo-nos até à época áurea dos Descobrimentos, perscrutando os longínguos mares. Quando daqui abalámos foi para nos relacionarmos com povos africanos, asiáticos e da América do Sul, com culturas completamente exógenas à europeia. Nessa época beneficiámos economicamente com o comércio das especiarias e dos metais preciosos, por exemplo, mas até isso acabámos por perder mais tarde, sobretudo em benefício de holandeses, de ingleses e de espanhóis. Veio depois o comércio de escravos, que exportámos de Angola para o Brasil e para as roças de cacau de São Tomé e Príncipe - vi-os passar à minha frente muitas vezes, nas ruas da cidade do Lobito, a caminho do porto, onde eram embarcados, arrancados à força às suas famílias que nunca mais chegavam a ver - de onde retirámos fortunas vergonhosas (sobretudo a nobreza e a burguesia, como sempre...). Enfim, não cabe aqui desenvolver este tema. Tentarei desenvolvê-lo noutras mensagens, assim como tentarei tratar de outros e diversificados temas que até podem nem caber no título deste blogue.