Há quem me fale da periferia da Islândia, apontando-a como exemplo de país periférico com índices económicos e culturais notáveis. Islândia que tem uma taxa de analfabetismo de 0%. Pois essa Islândia está hoje falida, insolvente, tal como a Estónia. Antes da crise financeira internacional possuía um nível de vida inultrapassável, apesar da sua situação extremamente periférica. Eis o que tenho a dizer sobre o assunto:
1) A Islândia foi uma província da Dinamarca (e, antes,da Noruega) até adquirir a independência creio que por volta de 1926. Até então houve uma espécie de osmose entre as duas culturas.
2) A economia islandesa - uma economia social de mercado que beneficia os seus cidadãos com generosos subsídios para habitação, por exemplo - sempre se baseou essencial e quase exclusivamente - até hoje - na actividade das pescas (98% do PIB), nos produtos derivados da pesca e na exportação destes produtos, muito especialmente para os Estados Unidos. Apenas desde há poucos anos começou a diversificar a sua economia para áreas industriais específicas de pequena dimensão. Porquê? Dever-se-á isso exactamente à sua situação periférica? As pescas são uma actividade humana ancestral, tradicional. Aquele povo nórdico, isolado do resto da Europa, entregou-se desde cedo a esta actividade económica tradicional e permaneceu apegado a ela durante séculos. O seu isolamento em relação ao resto da Europa também não contrbuiu para a atracção/captação de investimentos estrangeiros que promovessem a diversificação das actividades económicas.
Actualmente - devido à crise internacional vigente - a Islândia não possui recursos financeiros para pagar a sua dívida externa (principalmente ao Reino Unido e à França), e já teve de recorrer a empréstimos do FMI, com elevadas taxas de juro). Os seus três maiores Bancos abriram falência no final de 2008. Foram criados pelo Estado novos Bancos, geridos por este, para estabilizar o valor da moeda (Krona) e para garantir depósitos externos existentes nos Bancos islandeses.
Espera-se que a taxa de desemprego ultrapasse os 10% em 2010. Existe agora uma forte corrente de opinião a favor da adesão à União Europeia e da adopção do Euro.
Entre outras consequências, a periferia tem destas coisas...
Consequências culturais, sociais, temperamentais. históricas, sociológicas, económicas, etc. da periferia de Portugal na Europa. Outros diversos temas serão também tratados, que não cabem no título deste blogue. Citação: A inspiração chega de formas imprevisíveis, Richard Zenith, no Prefácio ao Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, Editora Assírio & Alvim.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
E subitamente há factos que nos surpreendem...
É verdade! Subitamente tomamos conhecimento de factos que nos surpreendem pela positiva : escute-se esta óptima interpretação do conhecido Concerto de Varsóvia, de Richard Addinsell, pelo pianista português André Vaz Pereira, no Teatro Aveirense, acompanhado pela orquestra da Sociedade Musical Gouveense. Repare-se também que esta orquestra é constituída por elementos muito jovens ! É de muitas "excepções" destas que o nosso país necessita. É claro que possuímos excelentes outros intérpretes e compositores de música erudita (nem é necessário citá-los pois são muitos e variados), mas estes distinguem-se pela sua juventude e por ainda não possuírem a fama dos outros. Hão-de lá chegar.
Nota: para poder visionar o vídeo anexo no YouTube, é necessário ter instalado no computador os programas/softwares, JAVA e Adobe Flash Player (deste, a Versão 9 ou 10)
http://www.youtube.com/watch?v=_bOD0Qt1FXM
Nota: para poder visionar o vídeo anexo no YouTube, é necessário ter instalado no computador os programas/softwares, JAVA e Adobe Flash Player (deste, a Versão 9 ou 10)
http://www.youtube.com/watch?v=_bOD0Qt1FXM
quarta-feira, 15 de julho de 2009
EUROSTAT - PRODUÇÃO INDUSTRIAL NA UNIÃO EUROPEIA
Nesta tabela do Eurostat (Produção Industrial de 2008 e 2009) não ficamos mal colocados em comparação com outros países europeus. Que haja algo de que possamos finalmente regozijar-nos.
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/tgm/table.do?tab=table&init=1&language=en&pcode=teiis080&tableSelection=2&plugin=0
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/tgm/table.do?tab=table&init=1&language=en&pcode=teiis080&tableSelection=2&plugin=0
quinta-feira, 18 de junho de 2009
DESNECESSÁRIO CITAR MAIS EXEMPLOS
É desnecessário citar mais exemplos de como a nossa postura tradicional, geralmente antitética, de oposição, em comparação com a ânsia de progresso que se tem verificado entre os outros povos ocidentais - pelo menos após a época dos Descobrimentos - e a sua constante abertura a novas ideias, tem contribuído para o nosso generalizado atraso cultural e material (é evidente que há muitas excepções que não invalidam a regra geral e possuímos actualmente diversas Universidades onde se pratica investigação avançada em diversas áreas que resultam em aplicações concretas que até exportamos). No entanto, essa não é a regra. Já nas "Cartas de Inglaterra", Eça de Queiroz aludia à intensa vida cultural da Londres do Século XIX, o que nos faz pensar nas diferenças que certamente a contrapunham à portuguesa da Lisboa de então. Não resisto a transcrever este um tanto longo, mas delicioso capítulo:
"ACERCA DE LIVROS
Outubro chegou, e com este mês, em que as folhas caem, começam aqui a aparecer os livros, folhas às vezes tão efémeras como as das árvores, e não tendo como elas o encanto do verde, do murmúrio e da sombra.
Estamos, com efeito, em plena Book-Season, a estação dos livros.
Estes dois meses, Setembro e Outubro (e eles merecem-no, porque, como cor, luz, repouso, são os mais simpáticos do ano) têm acumulado em si as mais interessantes seasons, as estações mais fecundas da vida inglesa.
A London-Season, a célebre estação de Londres, quando a Aristocracia, maior e menor, os dez mil de cima, como se dizia antigamente, o folhado, como se diz agora, recolhe dos parques e palácios do campo aos seus palacetes e jardinetes de Londres — passa-se em Abril, Junho e Julho, verdade seja. Mas essa é uma vã e oca estação de trapos, de luvas de vinte botões, de lacaios, de champagne, de batota e de cotillon. Enquanto que as outras!...
Olhem-me para estas sábias, úteis, viris, solenes seasons, que abundam nestes dourados meses de Setembro e Outubro. Isto sim! Aqui temos, por exemplo, a Congress-Season, a estação dos Congressos.
Que espectáculo! Toda a verde superfície da Inglaterra está então, de norte a sul, salpicada de manchas negras. São congressos em deliberação. Há-os metafísicos e há-os de cozinheiros.
Aqui duzentos indivíduos carrancudos e descontentes, elaboram uma nova ordem social; além, uma multidão de sábios, acocorados,semanas inteiras, em torno de um objecto escuro, não podem chegar à conclusão se é um tijolo vilmente recente ou uma laje da câmara nupcial da rainha Guinevra; e adiante, cavalheiros anafados e luzidios assentam a doutrina definitiva da engorda do leitão — esse amor!
Os congressos mais notáveis este ano foram — o de medicina em Londres, a que assistiram mil e trezentos congressistas, médicos cirurgiões dos dois mundos e dos dois sexos, e onde se prometeu à humanidade, para daqui a anos, a supressão das epidemias pelas vacinas; o da British Association, a grande Sociedade das Ciências, o congresso anual celebrado este ano em Iorque) em que o presidente, Sir John Lubbock, esse amável sábio que tem passado a existência a estudar as civilizações inferiores dos insectos, laboriosas democracias de formigas, deploráveis oligarquias de abelhas — ocupou-se desta vez, dando um balanço da ciência durante os últimos cinquenta anos, a mostrar algumas das estupendas habilidades desse outro efémero insecto, o Homem; e enfim um congresso anual da Igreja, celebrado em Newcastle, composto de bispos, dignitários eclesiás_cos. teólogos, doutores em divindade, este largo clero anglicano, mais douto e literário da Europa. Neste, entre outros assuntos, scutiu-se a Influência da Arte na vida e no pensar religioso: mas, santo a mim, o resultado mais nítido foi o revelar incidentalmente que a frequentação dos templos, em Inglaterra, diminui de um terço todos os dez anos, ao passo que o espírito de religiosidade cresce nas casas, tornando-se assim o sentimento religioso cada dia mais desprendido das formas caducas e perecíveis das religiões.
Neste momento há outros congressos — o dos Metalurgistas, o das Ciências Sociais, o dos Telegrafistas, o Arqueológico, o dos Lavradores, o dos... Enfim, centenares. Até o dos Browninguistas. Não sabem o que são os Browninguistas? Uma vasta associação, tendo por fim estudar, comentar, interpretar, venerar, propagar, ilustrar. divinizar as obras do poeta Browning. Isto, mesmo neste país de arrebatados entusiasmos intelectuais, me parece um pouco forte. Browning é sem dúvida, com Shelley, Shakespeare e Milton, um dos quatro príncipes da poesia inglesa: mas tem o inconveniente de estar vivo. Ele próprio assiste, materialmente, com o seu paletó e o seu guarda-chuva, ao congresso de que é objecto espiritual e assunto: e fatalmente, pelo efeito, mesmo da sua presença, a admiração literária tende a tornar-se idolatria pessoal, e os shake-hands, que distribui, começam naturalmente a ser mais apreciados no congresso que os poemas que ele escreveu. Por isso mesmo que o divinizem, o amesquinham: não é então o grande poeta de Inglaterra, é o particular dos Browninguistas; deixa assim de ser um espírito falando a espíritos — para ser apenas um manipanso, aterrorizando supersticiosos.
Mas, continuando com as estações, temos ainda a Yachting-Season a estação náutica, das regatas, das viagens em yacht. Hoje, em Inglaterra, ter um yacht é, como entre nós montar carruagem, o primeiro dever social do rico ou do enriquecido, uma das formas mais triviais do conforto luxuoso. Um yacht não é só um frágil e airoso barco de cinquenta toneladas e vela branca; pode ser também um negro e poderoso vapor de duas mil toneladas e sessenta homens de tripulação. Neste último caso, em lugar de bordejar gentilmente em redor das flores e das relvas da ilha de Wight, ou de ir mergulhar nessas prodigiosas paisagens marinhas do alto norte da Escócia, vai dar a volta ao mundo, carregado de Bíblias para os pequenos patagónios, de champagne e de amor para as lindas missionárias vestidas de marinheiras. A vida de yacht tem os seus costumes especiais, a sua etiqueta, a sua fraseologia, a sua moral própria, e sobretudo a sua literatura. A literatura de yacht é vasta — William Black, o autor das Asas Brancas, do Nascer do Sol, da Princesa de Thude, o seu romancista oficial; um paisagista maravilhoso, de resto, tendo na sua pena todo o vigor do pincel dum Jules Breton.
Temos igualmente neste mês a Shooting-Season, a estação da caça ao tiro, que abre no 1º de Setembro com uma solenidade e no meio de um interesse público tão intenso, tão fremente - que me dá sempre ideia do que devia ter sido, nas vésperas da Grande Revolução, a abertura dos Estados Gerais. Peço perdão desta abominável comparação — mas a carne é fraca, e eu considero esta estação sublime. É nela que se caça o grouse, e é durante ela que se come o grouse. Não sabem o que é o grouse? É um pássaro do tamanho da perdiz, que vive (Deus o abençoe!) nos moors, ou descampados da Escócia... Agora deixem-me repousar um momento, e ficar aqui, num êxtase manso, pensando no grouse, com as mãos crispadas sobre o estômago, o olho enternecido, lambendo o lábio...
NOTA - Os que porventura me lêem, já há muito leram as "Cartas de Inglaterra" do Eça. O que aqui ficou é apenas um extracto do Capítulo II do seu livro. A quem não as tenha lido, recomendo vivamente a sua leitura.
"ACERCA DE LIVROS
Outubro chegou, e com este mês, em que as folhas caem, começam aqui a aparecer os livros, folhas às vezes tão efémeras como as das árvores, e não tendo como elas o encanto do verde, do murmúrio e da sombra.
Estamos, com efeito, em plena Book-Season, a estação dos livros.
Estes dois meses, Setembro e Outubro (e eles merecem-no, porque, como cor, luz, repouso, são os mais simpáticos do ano) têm acumulado em si as mais interessantes seasons, as estações mais fecundas da vida inglesa.
A London-Season, a célebre estação de Londres, quando a Aristocracia, maior e menor, os dez mil de cima, como se dizia antigamente, o folhado, como se diz agora, recolhe dos parques e palácios do campo aos seus palacetes e jardinetes de Londres — passa-se em Abril, Junho e Julho, verdade seja. Mas essa é uma vã e oca estação de trapos, de luvas de vinte botões, de lacaios, de champagne, de batota e de cotillon. Enquanto que as outras!...
Olhem-me para estas sábias, úteis, viris, solenes seasons, que abundam nestes dourados meses de Setembro e Outubro. Isto sim! Aqui temos, por exemplo, a Congress-Season, a estação dos Congressos.
Que espectáculo! Toda a verde superfície da Inglaterra está então, de norte a sul, salpicada de manchas negras. São congressos em deliberação. Há-os metafísicos e há-os de cozinheiros.
Aqui duzentos indivíduos carrancudos e descontentes, elaboram uma nova ordem social; além, uma multidão de sábios, acocorados,semanas inteiras, em torno de um objecto escuro, não podem chegar à conclusão se é um tijolo vilmente recente ou uma laje da câmara nupcial da rainha Guinevra; e adiante, cavalheiros anafados e luzidios assentam a doutrina definitiva da engorda do leitão — esse amor!
Os congressos mais notáveis este ano foram — o de medicina em Londres, a que assistiram mil e trezentos congressistas, médicos cirurgiões dos dois mundos e dos dois sexos, e onde se prometeu à humanidade, para daqui a anos, a supressão das epidemias pelas vacinas; o da British Association, a grande Sociedade das Ciências, o congresso anual celebrado este ano em Iorque) em que o presidente, Sir John Lubbock, esse amável sábio que tem passado a existência a estudar as civilizações inferiores dos insectos, laboriosas democracias de formigas, deploráveis oligarquias de abelhas — ocupou-se desta vez, dando um balanço da ciência durante os últimos cinquenta anos, a mostrar algumas das estupendas habilidades desse outro efémero insecto, o Homem; e enfim um congresso anual da Igreja, celebrado em Newcastle, composto de bispos, dignitários eclesiás_cos. teólogos, doutores em divindade, este largo clero anglicano, mais douto e literário da Europa. Neste, entre outros assuntos, scutiu-se a Influência da Arte na vida e no pensar religioso: mas, santo a mim, o resultado mais nítido foi o revelar incidentalmente que a frequentação dos templos, em Inglaterra, diminui de um terço todos os dez anos, ao passo que o espírito de religiosidade cresce nas casas, tornando-se assim o sentimento religioso cada dia mais desprendido das formas caducas e perecíveis das religiões.
Neste momento há outros congressos — o dos Metalurgistas, o das Ciências Sociais, o dos Telegrafistas, o Arqueológico, o dos Lavradores, o dos... Enfim, centenares. Até o dos Browninguistas. Não sabem o que são os Browninguistas? Uma vasta associação, tendo por fim estudar, comentar, interpretar, venerar, propagar, ilustrar. divinizar as obras do poeta Browning. Isto, mesmo neste país de arrebatados entusiasmos intelectuais, me parece um pouco forte. Browning é sem dúvida, com Shelley, Shakespeare e Milton, um dos quatro príncipes da poesia inglesa: mas tem o inconveniente de estar vivo. Ele próprio assiste, materialmente, com o seu paletó e o seu guarda-chuva, ao congresso de que é objecto espiritual e assunto: e fatalmente, pelo efeito, mesmo da sua presença, a admiração literária tende a tornar-se idolatria pessoal, e os shake-hands, que distribui, começam naturalmente a ser mais apreciados no congresso que os poemas que ele escreveu. Por isso mesmo que o divinizem, o amesquinham: não é então o grande poeta de Inglaterra, é o particular dos Browninguistas; deixa assim de ser um espírito falando a espíritos — para ser apenas um manipanso, aterrorizando supersticiosos.
Mas, continuando com as estações, temos ainda a Yachting-Season a estação náutica, das regatas, das viagens em yacht. Hoje, em Inglaterra, ter um yacht é, como entre nós montar carruagem, o primeiro dever social do rico ou do enriquecido, uma das formas mais triviais do conforto luxuoso. Um yacht não é só um frágil e airoso barco de cinquenta toneladas e vela branca; pode ser também um negro e poderoso vapor de duas mil toneladas e sessenta homens de tripulação. Neste último caso, em lugar de bordejar gentilmente em redor das flores e das relvas da ilha de Wight, ou de ir mergulhar nessas prodigiosas paisagens marinhas do alto norte da Escócia, vai dar a volta ao mundo, carregado de Bíblias para os pequenos patagónios, de champagne e de amor para as lindas missionárias vestidas de marinheiras. A vida de yacht tem os seus costumes especiais, a sua etiqueta, a sua fraseologia, a sua moral própria, e sobretudo a sua literatura. A literatura de yacht é vasta — William Black, o autor das Asas Brancas, do Nascer do Sol, da Princesa de Thude, o seu romancista oficial; um paisagista maravilhoso, de resto, tendo na sua pena todo o vigor do pincel dum Jules Breton.
Temos igualmente neste mês a Shooting-Season, a estação da caça ao tiro, que abre no 1º de Setembro com uma solenidade e no meio de um interesse público tão intenso, tão fremente - que me dá sempre ideia do que devia ter sido, nas vésperas da Grande Revolução, a abertura dos Estados Gerais. Peço perdão desta abominável comparação — mas a carne é fraca, e eu considero esta estação sublime. É nela que se caça o grouse, e é durante ela que se come o grouse. Não sabem o que é o grouse? É um pássaro do tamanho da perdiz, que vive (Deus o abençoe!) nos moors, ou descampados da Escócia... Agora deixem-me repousar um momento, e ficar aqui, num êxtase manso, pensando no grouse, com as mãos crispadas sobre o estômago, o olho enternecido, lambendo o lábio...
NOTA - Os que porventura me lêem, já há muito leram as "Cartas de Inglaterra" do Eça. O que aqui ficou é apenas um extracto do Capítulo II do seu livro. A quem não as tenha lido, recomendo vivamente a sua leitura.
sábado, 6 de junho de 2009
VEJA-SE O QUE SE VAI FAZENDO PELA EUROPA EM MATÉRIA DE TGVs
Abaixo, artigo da penúltima TIME - a de 8 de Junho de 2009 - sobre o que diversos países europeus (incluindo obviamente os nossos vizinhos espanhóis) estão a fazer em matéria de TGVs (Trains Grande Vitesse - Comboios de Alta Velocidade). Apesar da crise. Continúo a pensar que muita gente deste nosso país possui uma alma estreita e, evidentemente, uma visão de curto prazo, conforme digo noutro post deste blog. Temos sempre de ser a excepção pela negativa... Leiam-se as razões expostas no outro post (noutra página deste mesmo blog). Tudo quanto contribúa para nos tornar menos periféricos na Europa - o que desde sempre fomos - será uma vantagem. De todos os pontos de vista. Os resultados positivos virão depois e aceleradamente.
Apetece citar Fernando Pessoa: "Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal!"
A seguir, artigo da Time Magazine sobre este assunto
http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1901431,00.html
Apetece citar Fernando Pessoa: "Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal!"
A seguir, artigo da Time Magazine sobre este assunto
http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1901431,00.html
sexta-feira, 5 de junho de 2009
TAXA DE ABANDONO ESCOLAR NA EUROPA - Pergunta apresentada no Parlamento Europeu à Comissão, em 2007
"Segundo as estatísticas oficiais publicadas pelo Eurostat para 2006, a taxa de abandono escolar dos jovens europeus entre os 18 e os 24 anos de idade é de 15,3%.
Em 14 Estados-Membros, porém, este indicador excede a média europeia. As taxas mais elevadas de abandono escolar verificam-se em Malta (41%), Portugal (39,2%), Espanha (29,9%), Islândia (26,3%), Itália (20,8%), Lituânia (19%) e Roménia (19%).
A União Europeia propôs, através da Estratégia de Lisboa, elevar a taxa de emprego para 70% até 2020. No contexto do aumento da produtividade do trabalho, a mão-de-obra requer no entanto ainda mais formação.
Que medidas tenciona a Comissão Europeia tomar a fim de reduzir a taxa de abandono escolar?"
NOTA: Leia-se este artigo sobre o abandono escolar de estudantes portugueses no Canadá: http://diario.iol.pt/noticia.html?id=653838&div_id=4202
Quanto à Taxa de Analfabetismo, convém ler este texto, onde se diz que, em 1991/92, se aproxima de 10%: http://www.liberdade-educacao.org/doc_avaliacao/dezporcento.htm
Não fará tudo isto pensar sobre se não haverá razões bem profundas que dão origem a estes resultados?
Em 14 Estados-Membros, porém, este indicador excede a média europeia. As taxas mais elevadas de abandono escolar verificam-se em Malta (41%), Portugal (39,2%), Espanha (29,9%), Islândia (26,3%), Itália (20,8%), Lituânia (19%) e Roménia (19%).
A União Europeia propôs, através da Estratégia de Lisboa, elevar a taxa de emprego para 70% até 2020. No contexto do aumento da produtividade do trabalho, a mão-de-obra requer no entanto ainda mais formação.
Que medidas tenciona a Comissão Europeia tomar a fim de reduzir a taxa de abandono escolar?"
NOTA: Leia-se este artigo sobre o abandono escolar de estudantes portugueses no Canadá: http://diario.iol.pt/noticia.html?id=653838&div_id=4202
Quanto à Taxa de Analfabetismo, convém ler este texto, onde se diz que, em 1991/92, se aproxima de 10%: http://www.liberdade-educacao.org/doc_avaliacao/dezporcento.htm
Não fará tudo isto pensar sobre se não haverá razões bem profundas que dão origem a estes resultados?
quarta-feira, 27 de maio de 2009
PIB português é o mais baixo da Zona Euro
Eis mais um exemplo do que, ao longo dos séculos, a nossa situação periférica na Europa - realidade complexa a que me refiro no início deste blogue - nos foi causando, pelas mais variadas razões. Esta nossa crónica situação económica tem obviamente muitas explicações, evidentemente, e decorre essencialmente de posturas individuais e colectivas, de hábitos de trabalho, de questões relacionadas com o espírito de iniciativa ou ausência dele, com o conformismo perante o que se presencia, também com a escassez de recursos naturais internos, com factores culturais e talvez até genéticos, etc. Embora este artigo do PÚBLICO se refira a valores de 2007 e já esteja ultrapassado nalguns dos seus dados (até porque a actual crise financeira e económica veio alterar algumas posições), a realidade portuguesa fica aqui espelhada, pois pouco se alterou. Há quem diga que não temos dimensão geográfica e, por consequência, estrutural, para criarmos riqueza própria...Pergunto: e os Países-Baixos, com a sua poderosa indústria electrónica - por exemplo - cujos produtos são exportados para todos os cantos do mundo? E a Suiça, com a sua reconhecidíssima indústria de relojoaria, por exemplo, e tantas outras?
Abaixo, o artigo do Jornal "PÚBLICO":
Fonte: Eurostat
"O PIB per capita português é o mais baixo da Zona Euro
17.12.2007 - 17h10 Lusa
O Produto Interno Bruto (PIB) português medido em unidades de poder de compra situou-se em 2006 em 75 por cento da média europeia, sendo o mais baixo da zona euro, segundo dados do Eurostat publicados hoje no Luxemburgo.
O departamento de estatísticas europeu indica que o PIB português por habitante passou de 76 por cento da média da UE em 2005 para 75 por cento em 2006, nível que apresentava em 2004.
Portugal tem um dos valores mais baixos da UE a 27 e é ultrapassado por quatro Estados-membros que aderiram em 2004: República Checa (77 por cento), Malta (77 por cento), Chipre (92 por cento) e Eslovénia (88 por cento).
Entre os países que integram a zona euro, cujo rendimento médio é superior em 10 por cento à média da UE a 27, Portugal apresenta o PIB per capita mais baixo.
O PIB per capita medido em unidades de poder de compra variou em 2006 entre os 37 e os 280 por cento da média da UE a 27, voltando a agravar-se no seio da União o fosso entre os mais pobres e os mais ricos .
O Luxemburgo reforçou em 2006 a liderança desta classificação com um PIB por habitante duas vezes e meia superior à média da UE (280 por cento, contra 265 um ano antes), enquanto a Irlanda estava cerca de 50 por cento acima da média (146 por cento).
A Bulgária mantinha a última posição com um PIB equivalente a 37 por cento da média (contra 35 um ano antes).
A Holanda, Áustria, Dinamarca, Bélgica e Suécia situavam-se aproximadamente entre 20 à 30 por cento acima da média.
O Reino Unido, a Finlândia, a Alemanha e a França estavam entre 10 a 20 por cento acima da média, enquanto a Espanha, a Itália e a Grécia estavam na média.
Em Chipre e na Eslovénia, o PIB per capita estava 10 por cento abaixo da média dos 27, enquanto na República Checa, Malta e em Portugal ele era entre 20 a 25 por cento inferior. Estónia, Hungria e Eslováquia tinham rendimentos inferiores em 35 por cento, enquanto a Lituânia, a Letónia e a Polónia estavam entre 40 a 50 por cento abaixo.
A Bulgária e a Roménia apresentavam os rendimentos per capita mais baixos da UE (de 37 e 39 por cento respectivamente)."
Artigo do Jornal "PÚBLICO" cuja data não me foi possível apurar.
Abaixo, o artigo do Jornal "PÚBLICO":
Fonte: Eurostat
"O PIB per capita português é o mais baixo da Zona Euro
17.12.2007 - 17h10 Lusa
O Produto Interno Bruto (PIB) português medido em unidades de poder de compra situou-se em 2006 em 75 por cento da média europeia, sendo o mais baixo da zona euro, segundo dados do Eurostat publicados hoje no Luxemburgo.
O departamento de estatísticas europeu indica que o PIB português por habitante passou de 76 por cento da média da UE em 2005 para 75 por cento em 2006, nível que apresentava em 2004.
Portugal tem um dos valores mais baixos da UE a 27 e é ultrapassado por quatro Estados-membros que aderiram em 2004: República Checa (77 por cento), Malta (77 por cento), Chipre (92 por cento) e Eslovénia (88 por cento).
Entre os países que integram a zona euro, cujo rendimento médio é superior em 10 por cento à média da UE a 27, Portugal apresenta o PIB per capita mais baixo.
O PIB per capita medido em unidades de poder de compra variou em 2006 entre os 37 e os 280 por cento da média da UE a 27, voltando a agravar-se no seio da União o fosso entre os mais pobres e os mais ricos .
O Luxemburgo reforçou em 2006 a liderança desta classificação com um PIB por habitante duas vezes e meia superior à média da UE (280 por cento, contra 265 um ano antes), enquanto a Irlanda estava cerca de 50 por cento acima da média (146 por cento).
A Bulgária mantinha a última posição com um PIB equivalente a 37 por cento da média (contra 35 um ano antes).
A Holanda, Áustria, Dinamarca, Bélgica e Suécia situavam-se aproximadamente entre 20 à 30 por cento acima da média.
O Reino Unido, a Finlândia, a Alemanha e a França estavam entre 10 a 20 por cento acima da média, enquanto a Espanha, a Itália e a Grécia estavam na média.
Em Chipre e na Eslovénia, o PIB per capita estava 10 por cento abaixo da média dos 27, enquanto na República Checa, Malta e em Portugal ele era entre 20 a 25 por cento inferior. Estónia, Hungria e Eslováquia tinham rendimentos inferiores em 35 por cento, enquanto a Lituânia, a Letónia e a Polónia estavam entre 40 a 50 por cento abaixo.
A Bulgária e a Roménia apresentavam os rendimentos per capita mais baixos da UE (de 37 e 39 por cento respectivamente)."
Artigo do Jornal "PÚBLICO" cuja data não me foi possível apurar.
terça-feira, 26 de maio de 2009
SOMOS UMA PEQUENA ECONOMIA DEMASIADO FECHADA
O presidente da Associação Empresarial de Portugal, que falava na Âlfandega, no Porto, no seminário da AICEP no âmbito da Semana Europeia das PME - Pequenas e Médias Empresas, salientou que desde a adesão à União Europeia, a parcela da produção nacional exportada "aumentou uns meros 3,3 pontos percentuais, de 31,3% para 33,6%".
É uma evolução que o dirigente associativo compara com os números da Áustria, onde as exportações passaram de 35% para 60% do PIB entre 1995 e 2008.
Na sua intervenção, José António Barros manifestou, ainda, preocupação pela "excessiva concentração das nossas exportações num número reduzido de empresas". Os números que apresentou, relativos a 2006, mostram que em 350 mil empresas nacionais, apenas 28 mil tinham clientes no exterior e, neste grupo, as 20 maiores representavam 30% do valor das exportações.
Apontando o impacto do desequilibrio da balança comercial na dívida externa do país, o presidente da AEP sublinha que "quase metade do desequilibrio externo português é já devido aos rendimentos líquidos pagos ao exterior, que correspondem, na sua esmagadora parte, a rendimentos de capital".
Face a este diagnóstico, a AEP considera que a melhoria do saldo comercial exige ganhos de produtividade, "num contexto de moderação salarial", mas que mais do que produzir de forma eficaz, Portugal tem, também, de "vender eficazmente" e diversificar mercados.
É um cenário que exige a redução da dependência nacional da União Europeia, que chegou a superar 80% das exportações e onde o caminho sugerido pela AEP aponta alternativas como Angola, Singapura, Brasil e Rússia, países para onde as exportações nacionais cresceram já entre 20% a 30% em 2008.
Nota no final do artigo: Portugal é, a seguir à Grécia, o país da UE onde o peso das exportações no PIB é mais baixo, alerta José António Barros.
In: EXAME - EXPRESSO
É uma evolução que o dirigente associativo compara com os números da Áustria, onde as exportações passaram de 35% para 60% do PIB entre 1995 e 2008.
Na sua intervenção, José António Barros manifestou, ainda, preocupação pela "excessiva concentração das nossas exportações num número reduzido de empresas". Os números que apresentou, relativos a 2006, mostram que em 350 mil empresas nacionais, apenas 28 mil tinham clientes no exterior e, neste grupo, as 20 maiores representavam 30% do valor das exportações.
Apontando o impacto do desequilibrio da balança comercial na dívida externa do país, o presidente da AEP sublinha que "quase metade do desequilibrio externo português é já devido aos rendimentos líquidos pagos ao exterior, que correspondem, na sua esmagadora parte, a rendimentos de capital".
Face a este diagnóstico, a AEP considera que a melhoria do saldo comercial exige ganhos de produtividade, "num contexto de moderação salarial", mas que mais do que produzir de forma eficaz, Portugal tem, também, de "vender eficazmente" e diversificar mercados.
É um cenário que exige a redução da dependência nacional da União Europeia, que chegou a superar 80% das exportações e onde o caminho sugerido pela AEP aponta alternativas como Angola, Singapura, Brasil e Rússia, países para onde as exportações nacionais cresceram já entre 20% a 30% em 2008.
Nota no final do artigo: Portugal é, a seguir à Grécia, o país da UE onde o peso das exportações no PIB é mais baixo, alerta José António Barros.
In: EXAME - EXPRESSO
segunda-feira, 13 de abril de 2009
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