Páginas

sábado, 13 de fevereiro de 2010

De onde veio o Universo e os seres que ele contém?

Conforme digo ali em cima "Outros temas serão tratados" neste blogue, ao sabor da inspiração momentânea. E aqui está um tema muito interessante e que não é novo e tem sido abordado por inúmeros pensadores: no link que se segue poderão ver e ouvir um conjunto de lições expostas por um engenheiro americano de comunicações, que começa com esta
Agora só falta decifrar quem é Deus, quais os seus profundos desígnios, que outros seres criou no Universo (se os criou, mas, se não os criou, o Universo é um desperdício) e, finalmente, porque lhe chamámos Deus, God, Gott, Dieu, Dios, Dìo, etc. e não o designámos de outro modo (uma questão etimológica? Bíblica? Um dos significados mais antigos da palavra Deus é "O Invocado"). A razão é complicada. Se não, veja-se este site E, já agora... A forma de Deus? Terá Ele forma? E, se a tiver, será humana? E porque haveria de ser humana? Ou assumirá diversas formas, consentâneas com as dos diversos seres (pelo menos os racionais) que tenha criado por esses Universos fora? Ou será Ele apenas uma energia? Consequentemente, sem forma aparente. Uma potentíssima energia criadora e consciente? Segundo alguns será isso. Uma energia fora do espaço e do tempo. Não teve origem nem terá fim. Não está ela, essa energia, condicionada pelo tempo e pelo espaço. Conseguimos imaginar?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Às vezes a nossa alma regozija-se

Artigo sobre Portugal pelo Embaixador Britânico


Dez coisas que melhoraram em Portugal nos últimos 15 anos.
Por Alexander Ellis,
Embaixador Britânico em Lisboa



Chegou a época do espírito natalício. Então, deixemos de lado quaisquer miserabilismos e concentremo-nos nas coisas boas - não como escape mas como realidade. Vivi em Portugal há quinze anos. Agora, de volta, quero sugerir dez coisas, entre muitas outras, que melhoraram em Portugal desde a minha primeira estadia. Não incluo aqui coisas que já eram, e ainda são, fantásticas (desde a forma como acolhem os estrangeiros até à pastelaria).


Aqui ficam algumas sugestões de melhorias:


- Mortalidade nas estradas; as estatísticas não mentem - o número de pessoas que morre em acidentes rodoviários é muito menor, cerca de 2000 em 1993 e de 776 em 2008. A experiência de conduzir na marginal é agora de prazer, não de terror. O tempo do Fiat Uno a 180 km/h colado a nós nas auto-estradas está a passar.


- O vinho; já era bom, mas agora a variedade e a inovação são notáveis, com muito mais oferta e experiências agradáveis. Também se pode dizer a mesma coisa sobre o azeite e outros produtos tradicionais.


- O mar; Lisboa, em 1994, era uma cidade virada de costas para o mar; poucos restaurantes ou bares com vista, e pouca gente no mar. Hoje, vemos esplanadas e surfistas em toda a parte. Muita gente a aproveitar melhor um dos recursos naturais mais importantes do país.


- A zona da Expo; era horrível em 1994, cheia de poluição, com as antigas instalações petrolíferas. Agora é uma zona urbana belíssima, com museus e um Oceanário entre os melhores que há no Mundo.


- A saúde; muitos dos meus colegas têm feito esta sugestão - a qualidade do tratamento é muito melhor hoje em dia, apesar das dificuldades financeiras, etc. A prova está no aumento da esperança de vida, de cerca de 74 em 1993 para 78 anos em 2008.


- Os parques naturais; viajei muito este ano do Gerês a Monserrate ; tudo mais limpo, melhor sinalizado, mais agradável. O pequeno jardim está, de facto, mais bem cuidado.

- O cheiro. Sendo por natureza liberal nos costumes sociais, não fui grande fã da proibição de fumar - mas, confesso, a experiência de estar num bar ou num restaurante em Portugal é hoje mais agradável com a ausência de tabagismo. E a minha roupa cheira menos mal no dia seguinte.

- A inovação; talvez seja fruto da minha ignorância do país em 1994, mas fico de boca aberta quando visito algumas das empresas que estão a investir no Reino Unido ; altíssima tecnologia, quadros dinâmicos e - o mais importante de tudo – não há medo. Acreditam que estão entre os melhores do mundo, e vão ao meu país, entre outros, para prová-lo.

- O metro de Lisboa. É limpo, rápido, acessível e tem estações bonitas.

- As cores; Portugal tem e sempre teve cores naturais bonitas. Mas a minha memória de 1994 era o aspecto visual bastante cinzento das cidades, desde a roupa até aos carros. Hoje há mais alegria - recordo um português que me disse, talvez com tristeza, que o país estava a tornar-se mais tropical. Em termos de imagem, parece-me um elogio!

Esta é a minha lista. E a sua?
Alexander Ellis,

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Como é em Espanha

Veja-se o que faz uma "Subdirección General de Cooperación Cultural Internacional" do Ministério da Cultura de Espanha.
Exactamente o que sugiro que se fizesse aqui para promover a nossa cultura no exterior, em todas as suas áreas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Fernando Pessoa sobre a necessidade de promover a cultura portuguesa no estrangeiro

Olvidemos o Secretariado da Propaganda Nacional (mais tarde SNI) do Estado Novo (criado e dirigido por António Ferro, sob Salazar, e moldado sobre ideário nazi de Goebbels...), e meditemos acerca da necessidade da criação de uma instituição que promova veementemente no estrangeiro a cultura portuguesa, de que já aqui falei ontem e que bem necessitada anda disso. E "circunstanciemos" as condições da época às que vigoram na actualidade.


Eis pois o texto de Fernando Pessoa (publicado em "Fernando Pessoa - Sobre Portugal - introdução ao problema nacional", Drª Maria Isabel Rocheta e Drª Maria Paula Morão, Edições Ática, Fevereiro de 1979" :


"No seu sentido superior e profundo, a desvalorização internacional da nação portuguesa deriva de três factores conjugados (da acção conjugada de três factores) - a incultura, geral como profissional, do indivíduo português e sobretudo do indivíduo das classes médias; a deficiência de propaganda de Portugal no estrangeiro; e a ausência de consciência superior da nacionalidade.


Seria, tanto inútil como por demais extenso, procurar as causas da existência e concorrência (acção concorrente) destes três factores. A causa fundamental, não há dúvida, é a longa decadência em que entrámos desde o fim da dinastia de Avis. Por decairmos, decaíram paralelamente o indivíduo português e o Estado Português, administrado por esses indivíduos. E, decaindo o indivíduo e o Estado, deixou de haver uma consciência superior da nacionalidade e dos fins nacionais, porque um povo decadente servido por um estado indiferente, a não pode ter; deixou de haver cultura geral, porque nem o estado educava, nem nos indivíduos havia, por decadentes, o interesse civilizado pela cultura; deixou de haver cultura profissional, porque, ausente o estímulo, de orgulho nacional, de concorrer com outras nações, desaparecia a razão para o aperfeiçoamento de cada um no seu mister; e deixou de haver a precisa propaganda de Portugal no estrangeiro, porque, falhos de classes superiores internacionalmente proeminentes, não tínhamos a propaganda natural da superioridade ou nas artes ou nas ciências, e, mal administrado o Estado, não o havia de ser bem exclusivamente na parte superior da diplomacia, nem, falho o orgulho nacional, havia quem, individualmente, se ocupasse em o erguer ante o estrangeiro.



Não ocupamos, ante o geral da civilização, lugar mais proeminente, antes menos, do que no abismo da nossa decadência. O nosso homem das classes médias - e as classes médias são o esteio de um país - é mal culto, ignorante, profissionalmente instintivo ou atado (profissionalmente no comércio); a propaganda da nossa terra é descurada pelo estado, absorvido por políticos, pelos indivíduos, desnacionalizados e inertes, para tudo quanto não seja os seus baixos interesses ou os interesses superiores da sua política inferior; e a invasão das ideias estrangeiras, pervertendo a própria substância do patriotismo que restava entre nós, privou-nos de podermos criar, não já um orgulho nacional, mas uma simples consciência superior da nossa nacionalidade.


Em matéria cultural, o que se tem feito é quase nada. Quem há culto entre nós, a si próprio se cultiva, e as mais das vezes mal, quase sempre anti-nacionalmente. Em matéria de propaganda, a única instituição criada para esse fim, a inepta Sociedade de Propaganda de Portugal, nada faz porque, sendo uma espécie de escol de incompetentes, nada sabe fazer. E em matéria de consciência superior da nacionalidade, a maioria dos portugueses nem sequer sabem que isso existe.
É preciso criar um organismo cultural capaz de substituir o estado nestas funções. Escusa de ter aspecto de potência adentro da Pátria: basta que tenha a precisa noção superior dos seus fins.


Deve essa organização visar três fins: (1) a criação de uma atitude cultural nas classes médias, porque são elas as em que assenta a vida nacional, e os comerciantes sobretudo, porque, sobre serem eles a parte mais forte das classes médias, são a parte mais representativa delas, dado o carácter comercial da nossa época; (2) a criação de uma propaganda ordenada e científica de Portugal no estrangeiro; (3) A criação lenta e estudada de uma atitude donde derive uma noção de Portugal como pessoa espiritual".








.


.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Como somos diferentes !!

Há cerca de 2 meses enviei o mail abaixo ao Ministério da Cultura. Não obtive até agora qualquer resposta. Acontece que há largos meses atrás enviei ao Governo Dinamarquês um outro mail protestando contra a caça às focas bebés naquele país, a qual, ainda por cima, é praticada de modo extremamente bárbaro (à paulada porque dizem que assim a pele que delas extraem fica com melhor qualidade e é melhor comercializada...). Cerca de 2 dias depois recebi uma desenvolvida resposta "justificativa" mas recebi-a!!


Eis o mail enviado ao nosso Ministério da Cultura:
"Exmos. Senhores/as,
Não sei se me estou a dirigir directamente à Senhora Ministra da Cultura (que há muito conheço por escutar as suas excelentes interpretações musicais na Antena 2 da RDP).


O tema deste e-mail é o seguinte:
todos nós já constatámos que Portugal e os portugueses são raramente referidos em noticiários ou em programas de televisões ou de rádios internacionais, em jornais e semanários internacionais, em revistas internacionais, etc. ao contrário do que acontece com Espanha e os espanhóis, para citar apenas os nossos vizinhos do lado. Isso deveria entristecer-nos a todos. Tenho reflectido muito sobre as causas dessa nossa ausência do panorama noticioso internacional e gostaria de que a situação se modificasse. Acho que uma das soluções poderia ser a criação de uma muito actuante "Secretaria de Estado para a Promoção da Cultura Portuguesa no Mundo" ou de uma instituição com nome e desiderato semelhante. Dedicar-se-iam elas à veemente divulgação da nossa música erudita (e não apenas erudita; à de toda a música, desde que de valor suficiente) e respectivos compositores e intérpretes, da nossa literatura, da nossa História, da nossa língua, (bem sei que nesta área já existe o Instituto Camões, mas parece não bastar) do nosso teatro, do nosso cinema, da nossa ciência e da nossa tecnologia, enfim, de todo o nosso património cultural. Não me refiro ao turismo, pois que para isso já existem organismos eficazes e suficientes.


Em minha casa entra-me o mundo através de muitas vias. Entram-me, por exemplo, centenas ou mesmo milhares de estações de rádio e de televisão (via internet e via antena parabólica própria) e, dado estar aposentado, todo o dia ouço muitas dessas estações de rádio (possuo muito equipamento que as amplifica em série na sala, tanto as que seguem aqui do computador para lá, como as que seguem do receptor digital ligado à parabólica). As que mais ouço são as de música erudita e as de Jazz. Pois bem: como todos sabemos, as composições, os compositores e os intérpretes espanhóis são constantemente referidos e transmitidos. Isto para já nem falar de composições de não espanhóis, mas inspiradas em temas relacionados com Espanha. Acerca de Portugal e do seu panorama musical sob todos os pontos de vista, praticamente nada se ouve. De vez em quando há uma estação neerlandesa e uma ou outra suiça ou francesa que emitem interpretações da pianista Maria João Pires. E pouco mais, quando temos vários outros compositores contemporâneos (António Vitorino de Almeida, Joly Braga-Santos, Luis de Freitas Branco, José Vianna da Motta, Frederico de Freitas Branco, Pedro Caldeira Cabral, Eurico Carrapatoso, Álvaro Cassutto, Emmanuel Nunes, Fernando Lopes-Graça, por exemplo) com música editada em discos e outros compositores mais antigos (João Domingos Bomtempo, Francisco Correia de Araújo, António Carreira, Alfredo Keil,Carlos Seixas, e tantos outros.
Escutam-se de quando em vez entrevistas a personalidades da cultura espanhola, mas nada se escuta acerca de personalidades da cultura portuguesa.


Estranho muito esta nossa invisibilidade, mesmo na Europa a que pertencemos. Consideram-nos periféricos e distantes, talvez quase africanos... Às vezes nem constamos nos... Boletins Meteorológicos da esmagadora maioria das estações de televisão... (resumem o nosso país a uma mancha cinzenta ao lado de Espanha, tratando-nos graficamente como uma obscura província da IBÉRIA...).
Será que o Ministério da Cultura se poderia interessar por este aspecto da divulgação persistente da nossa cultura através dos meios que proponho? Pelo que se vê, não bastam os adidos culturais das nossas Embaixadas.


Com os melhores cumprimentos, subscrevo-me,
muito atentamente,
Mário César Borges Marques de Abreu
Urbanização da Quinta Grande - Alfragide Norte"

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Para comemorar os 250 anos da morte de Händel

Para encerrar o ano de 2009, e remomerar os 250 anos da morte de Georg Friderich Händel (ou George Friederic Handel... o nome deste compositor aparece escrito na net, em enciclopédias e em Histórias da Música das mais diversas maneiras, penso que por ter vivido muitos anos em Inglaterra, apesar de ser alemão), e como esta vida não é só desgraças... aqui vai o Aleluia (Hallelujah) do "Messias" deste compositor:
Basta clicar sobre a hiperligação. E que o ano de 2010 seja melhor para o mundo e, em especial, para Portugal

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

EL MISTERIO PORTUGUÉS - Do jornal "LA VANGUARDIA" de Barcelona

EL MISTERIO PORTUGUES
Gabriel Magalhães
Profesor y escritor portugués (Luanda, Angola, 1965). Residió muchos años en España. Sobre temas ibéricos ha publicado las obras "Estar Entre" (2007) y "Garrett e Rivas: o Romantismo em Espanha e Portugal" (2009). Su novela "Não Tenhas Medo do Escuro" (2009) obtuvo el premio Revelación de la Asociación Portuguesa de Escritores. En la actualidad trabaja en la Universidad de Beira Interior (Portugal), donde ha desarrollado el proyecto de investigación Relipes (Relaciones lingüísticas y literarias entre Portugal y España desde el siglo XIX hasta la actualidad

Portugal transmite una suave impresión de caos, parecida a la que uno siente en una tienda de antigüedades | El país vive en la esquizofrenia de ser una pequeña nación que ha llevado a cabo grandes cosas. El próximo domingo se celebran en Portugal elecciones legislativas. Más allá de la batalla política, indagamos en la actualidad sociocutural portuguesa y presentamos un acercamiento a este país que, a menudo, desde España, a pesar de la proximidad –o precisamente a causa de ella–, es víctima de invisibilidad

A los españoles se les olvida Portugal. Claro que saben qué es y dónde está, pero se les olvida. A los portugueses a veces también se les olvida España, pero no tanto. Cuando se construye una nacionalidad, hay que desconocer un poco los demás países, sobre todo los más cercanos. Pessoa lo dijo muy bien: "Todas las naciones son misterios. Cada una es el mundo entero a solas". Los pocos textos que los diarios españoles dedicarán a las elecciones legislativas portuguesas del 27 de septiembre no cambiarán esta situación. Los nombres de los políticos lusitanos sonarán rarísimos a los pocos lectores que no se salten la noticia. Y todo volverá al olvido de siempre.

No obstante, cada vez más españoles se enamoran de Portugal y se adentran en el misterio portugués. Lo primero que comprenden es que se trata de un país apasionado por las distancias. Cuando se está en Portugal no se está en Portugal, sino más bien en el prólogo de algo que se continúa en América, en África, en Asia y en el más lejano Oriente. El destino del país vecino es el viaje: se trata de una cultura que se busca a sí misma en el más allá. La consecuencia es que Portugal se descentra, se transfiere para su periferia. Y después pasa que uno se encuentra en Lisboa con una ciudad que es un hueco de nostalgias.

Este culto de la distancia se refleja también en pequeños detalles de la vida cotidiana. Al portugués no le gusta, por lo general, convivir en la calle. Lo hace en la lejanía de las casas particulares. El primer contacto entre las personas adultas casi nunca empieza por el tú,sino por el usted.Hay amigos de muchos años y de férreas solidaridades que jamás se han tuteado. Siempre la distancia, aunque sea la distancia social de un tratamiento. Y en las cafeterías las mesas individuales se imponen a la barra multitudinaria.

Quizás por todo esto al portugués, cuando llega a España, le parece que las personas están hablando a voces y que las cosas se han acercado peligrosamente a su cuerpo. Para los lusitanos, que son seres soñadores y muy virtuales, visitar España es como darse un buen masaje de realidades. Entretenido con esta dimensión erótica de la hispanidad, el portugués suele olvidar el laberinto de culturas y nacionalidades que constituye una de las riquezas y uno de los problemas de España.

Piensan muchos españoles que Portugal es un país de pobres y se equivocan redondamente. Portugal es un país de ricos pobres, lo que es muy distinto. La nación vecina tiene, para quien la conoce bien, ese encanto polvoriento de las familias aristocráticas venidas a menos. Aunque su exterior pueda ser menesteroso, la mentalidad portuguesa es la de un rico. Pocos países habrán despilfarrado tanto. Pocos países se han relacionado con su economía, a lo largo de los siglos, de un modo tan perdulario. El rey Juan V, monarca de la primera mitad del siglo XVIII, envió al papa Clemente XI una embajada memorable, cuyos carruajes increíblemente lujosos se pueden visitar aún hoy en día en el Museu Nacional dos Coches. Al monasterio de Mafra, obra millonaria que fue uno de los símbolos de su reinado, le puso dos carillones porque uno le pareció barato.

Quizás el origen de todo esto sea la época espléndida de la expansión marítima y del imperio, los siglos XV y XVI, en que Portugal, entrando en contacto con otros mundos del mundo, se perfiló como una novela de ensueño, inventando el realismo mágico antes de que fuera inventado. Lisboa se transformó en una ciudad muy rica: una "orgía de mercaderes", en palabras del historiador Oliveira Martins. En El burlador de Sevilla,se cuenta que existían comerciantes lisboetas que medían el dinero en fanegas, como se medía el trigo, porque no había tiempo ni paciencia para contar monedas. En los pisos bajos del Palacio Real se situaba la Casa de la India, que controlaba el comercio imperial. Y en el estuario del Tajo podían verse más de 500 naves ancladas, venidas del mundo entero. Lisboa era en aquella época lo que Nueva York está dejando de ser para que Shangai empiece a serlo.

Al español le cuesta entender que el indigente portugués tenga una mentalidad tan aristocrática, pero así es, más por timidez que por orgullo. Resulta curioso comprobar que los lusitanos han sustituido los títulos nobiliarios por títulos académicos. A los licenciados se les trata socialmente de doctor y a los doctorados de profesor doctor,y en estas palabras hay como un eco de antiguos tratamientos de señor conde o señor marqués.

Por lo demás, el portugués es muy barroco. Le gustan los detalles, no las estructuras. Aprecia, en todo, el talento decorativo. En un restaurante, el filete de ternera se sirve con patatas, arroz y verduras: el filete es pequeño, pero notable su séquito gastronómico. En España, los filetes de ternera son grandes y vienen con patatas fritas. Amante de las distancias y de los ensueños, perdulario y barroco, el lusitano es además muy individualista, lo que conlleva una cierta desorganización. Portugal transmite una suave impresión de caos, parecida a la que uno siente en una tienda de antigüedades. En España reina una mentalidad más geométrica, más germánica, quizás recuerdo del esplendor alemán de los Austrias.

La historia no basta para explicar esta manera de ser tan encantadora cuanto, a veces, exasperante. Portugal nació en el siglo XII, fruto de la ambición de una familia francesa (el primer rey portugués, Alfonso Henríquez, es hijo de un aristócrata borgoñés), que se apoyó en la nobleza que existía entre los ríos Duero y Miño. En el remolino político de la reconquista nació este pequeño Estado, que en un principio intentó crecer hacia el norte, hacia territorio gallego, formando la unión lógica del noroeste peninsular. Pero la historia no es lógica, aunque pueda ser comprensible: fracasando en su aventura gallega, la expansión del nuevo reino se hará hacia el sur. Galicia y Portugal, que básicamente son lo mismo en lo que respecta a sus raíces, se separaron para siempre, y la especificidad portuguesa se desarrolló a partir de la fusión de su raíz galaica con las culturas árabes y semíticas meridionales.

En 1385, con la victoria de Aljubarrota sobre los ejércitos castellanos, Portugal se aleja de la unión peninsular y, pocos años después, con la conquista de Ceuta, en 1415, se lanza a su aventura marítima. En menos de cien años, este país construye el primer imperio de dimensión mundial, con posesiones en América, África, Asia y Extremo Oriente. En realidad, es el primer imperio global, muy frágil por supuesto, pero el imperio español y el francés, el glorioso imperio británico y el actual imperio virtual norteamericano son una continuación de este primer boceto portugués. A partir de aquí, Portugal vive en la esquizofrenia de ser una pequeña nación que ha llevado a cabo grandes cosas: el portugués actual es un enano cuyos abuelos resulta que eran unos colosos.

Desde el siglo XVIII hasta la actualidad, la cultura portuguesa, consciente de su decadencia, ha vivido marcada por la obsesión mimética de lograr parecerse a los grandes países occidentales: la misma obsesión que existió en España, pero en el caso español esta manía imitadora se equilibraba con el amor hacia la pandereta y hacia todo lo castizo. En Portugal, casi no existe este orgullo nacional. El portugués ama demasiado lo extranjero. Las películas en otros idiomas siempre se han subtitulado. Por el contrario, España no es país de subtítulos, sino de doblajes.

¿Cuáles son los retos actuales de la portugalidad? El lector ya se ha dado cuenta de que, en realidad, Portugal es un país inviable. Siempre lo ha sido. No posee una individualidad geográfica; sus raíces más profundas las comparte con Galicia; su propio idioma es una evolución, una mundialización del gallego. La independencia portuguesa hay que crearla todos los días. Por eso, ser portugués cansa muchísimo. Se puede ser alemán, británico o francés tranquilamente, pero sólo se puede ser portugués en la intranquilidad. Sin personalidad geográfica específica, los portugueses tuvieron que labrarse un territorio propio en la mar. Es con prodigios de este tipo que la portugalidad se ha ido construyendo. Cuando una pequeña nación se decide por un destino separado, rápidamente descubre que tiene que reinventar su independencia en cada nuevo día de su historia.

La identidad portuguesa se fragua en este estado espiritual de vivir en la perpetua invención de su individualidad. Esto lo explicó muy bien Fernando Pessoa en Mensagem:el portugués es un militante de la imposibilidad. De su imposibilidad. Ser portugués constituye, en el fondo, una forma de heroísmo. En un occidente laico y hedonista, la sociedad portuguesa tiene alguna dificultad en aceptar el extraño sacrificio que conlleva la identidad lusitana. Y aquí se abre una paradoja: uno de los problemas del Portugal del último siglo ha sido su exceso de felicidad. La última invasión extranjera ocurrió en 1807; la última guerra civil se concluyó en 1834. Después de esto, las grandes catástrofes han ocurrido a lo lejos, como si fueran sueños. A lo largo del siglo XX, Portugal fue un país lunar. Y la nación se ha dormido.

El Portugal actual no sabe por dónde tirar. No sabe cómo despertar. Pero este problema, que parecía ser específicamente portugués, se ha visto que, al final, es de todo el mundo occidental. Quizás a causa de la fragilidad de su economía, Portugal sintió primero los síntomas de una crisis que es de todos. Efectivamente, la Península Ibérica constituye un lugar profético. Profética fue nuestra relación con el mundo árabe, a partir del 711: un anuncio de la tensión que marca, aún en la actualidad, las relaciones entre las naciones occidentales y el islam. Profética fue también nuestra expansión colonial: un bosquejo de la actual globalización. Profética fue en fin la guerra civil de España. Quizás esta capacidad de profecía ocurra porque llegan aquí primero las pateras de la historia. En el callejón sin salida que es el presente de Occidente, Portugal se siente, por decirlo de alguna manera, en su ambiente. El futuro que no tenemos hoy los occidentales es el futuro que Portugal siempre ha tenido. Y puede que la capacidad de inventar y de inventarse de los lusitanos sea una de las llaves del porvenir.

É, mais ou menos, o que ando a dizer desde o início... Verdadeiro mistério ainda a decifrar.

O mistério do cérebro dos portugueses
Baptista-Bastos (em "Jornal de Negócios")
Parece que o cérebro dos portugueses surpreende cientistas. A tal ponto que investigadores das universidades de Coimbra, Aveiro, Porto e Minho vão debruçar-se sobre esse órgão misterioso, vistoriando, com tenaz denodo e um pouco de apreensão, o que nos faz assim. Eis um empreendimento difícil, por avançar em terreno fértil de interpretações. É inumerável a lista de obras de todos os géneros e ramos que têm vasculhado a idiossincrasia do indígena nascido cá no brejo. Não se chegou a conclusão alguma. O português escapa-se como enguia ao catálogo, correspondendo, desse modo, às dificuldades erguidas a todos os que procuram desvendar o que se passa naquela inaudita massa cinzenta.
"O cérebro é o génesis", proclamou Jung. "Mas o que domina a vida é o sexo", afirmou Freud. Afinal, quem dá ordens? Citei dois; e coloque lá mais este, que, como os outros, dá para todas as circunstâncias, quando precisamos de muleta: Fernando Pessoa. Aí vai: "O português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja. Somos um grande povo de heróis adiados. Partimos a cara a todos os ausentes, conquistamos de graça todas as mulheres sonhadas, e acordamos alegres, de manhã tarde, com a recordação colorida dos grandes feitos por cumprir (…) É difícil distinguir se o nosso passado é que é o nosso futuro, ou se o nosso futuro é que é o nosso passado. Cantamos o fado a sério no intervalo indefinido. O lirismo, diz-se, é a qualidade máxima da raça. Cada vez cantamos mais um fado".
Afinal, em que ficamos? Cabeça, sexo ou fadistice?
Um facto é incontroverso: cada vez somos mais ignorantes, cada vez somos mais atraídos para os alçapões do facilitismo, cada vez somos mais afastados de estudar, de reflectir, de analisar e, por decorrência, impedidos de decidir bem. "Como nação estamos condenados", disse-me, há anos, o prof. dr. Oliveira Marques, durante uma entrevista para a SIC. A terrível afirmação não obteve eco na Imprensa. O que encontra repercussão na Imprensa são futilidades da política, discussões filosóficas acerca de futebol, e aquelas parvoeiras sobre a "popularidade" do Sócrates, sem se indagar, cientificamente, a natureza específica das "sondagens".
O que se passa na estimável cabeça portuguesa é que não a usamos porque não a sabemos usar, e não a sabemos usar porque a isso não fomos instigados - pelo contrário. Tudo se opôs a que repelíssemos a servidão. A partir de Dom João III (o tal que procedeu ao desenvolvimento das universidades e, depois, pediu ao Papa a purificadora labareda da Inquisição) até aos dias "democráticos" de hoje, sem esquecer o querido Salazar, estivemos entregues a conclaves de malandros que acumulavam a patifaria com comovente inépcia. Dir-se-á: mas houve, e há, excepções. Em desacordo. Quem se cumplicia com a regra da infâmia é tão biltre quanto os que a estabelecem.
Sabe-se: a ignorância é destemida. E espalhou-se, endemicamente, a todos os sectores da sociedade. Há "escritores" manifestamente desconhecedores do significado de elipses, elisões, aliterações, cacófatos; de que se pode obter a concordância com o nome predicativo do sujeito e também não sabem o valor do nome predicativo do sujeito. Tropeçam na preposição e estatelam-se nos fonemas, com divertimento e galhofa. Há jornalistas que o não são, nem nunca o serão à força de o quererem ser. Plagiadores, também os há. Não só de temas: de frases, de locuções inteiras. Conheço alguns; a outros, ferrei em público. As escaramuças com a conjugação dos tempos do verbo haver transformaram-se num conflito armado. O desconhecimento de História, de Literatura, de Cinema, de Teatro, de Artes Plásticas, de Ciências, de Geografia, de Gramática, atinge níveis assustadores.
Perante este cenário, não se estranha que, na TVI, um programa, "A Bela e o Mestre", seja uma desgraça monumental. O "apresentador", esse, revela-se o mimetismo da imbecilidade galopante. Carrega no riso, soletra dificultosamente pequenas frases, formula horrores convencido de que faz filigranas. As raparigas que lá aparecem expõem alegremente as coxas e apresentam currículos profissionais adequados às capacidades. Boas de perna, más de meninge. No "Diário de Notícias", Fernanda Câncio, com inclemente crueldade, caustica as oito meninas, subordinando-as a este título medonho: "Nascidas para Ignorar".
Realmente, as meninas são fragorosamente ignaras. Riem muito e exteriorizam as suas pequeninas ambições trocando a parda chatice do espírito pela jubilosa tentação das pernas e dos seios. O "apresentador" demonstra alucinante contentamento, facilmente explicável: os tolejos delas constituem a imagem devolvida da sua pessoal cretinice.
Estas manifestações de debilidade mental pouco ou nada me espantam. Gerações de matóides, sucederam-se a gerações de mentecaptos. O País foi assaltado por levas e levas de gente inepta, e não só nos Governos consecutivos. O apelo aos mais rasteiros instintos chegou, até, a amarinhar pela RTP, onde alguns dos mais tremendos "formatos" tiveram calorosa guarida. Os responsáveis dessa miséria continuam impunes. A dança dos directores de jornais não é de hoje. Logo a seguir a Abril, os Governos colocaram pessoas da sua confiança na Imprensa, na Rádio e na Televisão estatal. Foi o que se viu: sargentos políticos converteram a criatividade, o talento, uma certa dose de anarquia, comum às grandes Redacções, numa ordenança burocrática, sob o império do servilismo. Todos os partidos, todos, são culpados de manobrismo e manipulação. Consoante a valsa dos partidos, assim se bailava nos postos directivos e afins. Não se inquiria sobre o talento do recém-vindo; pedia-se-lhe o cartão do partido. Houve um local que chegou a registar sessenta "chefes" na prateleira.
Aquele desgraçado "A Bela e o Mestre" reflecte um País em colapso. E o colapso é de natureza cultural e não, exclusivamente, de ordem económica, como pretendem fazer-nos crer. O amolecimento moral dos portugueses só é proveitoso para o grupo possidente. A crítica ao poder deixou de existir. O que se combate é o Governo, ou os Governos, mesmo assim com a subtileza dos que esperam, um dia destes, ser beneficiados com sinecuras. O poder deixou de estar nas mãos dos Governos. Quem manda são os grandes grupos económicos. Basta reparar nos governantes que estiveram, estão e irão, certamente, estar nas grandes empresas privadas: banca, seguros, energia, saúde, educação. A análise do "sistema" ausentou-se dos media. E aqueles que ousam beliscar, ao de leve, o corpo coriáceo desse "sistema" pagam caro a pessoal exigência de rigor e de honestidade.
Dilectos: podem crer que sei do que falo. E, às vezes, interrogo-me: até quando?

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ainda a propósito de investimentos públicos e de TGVs

"Ainda a propósito de investimentos públicos e de TGVs

A União Europeia acaba de conceder mais 33 milhões de euros para a construção do nosso TGV. A União Europeia vê longe e está muitíssimo interessada em que, pelo menos todas as suas capitais, estejam ligadas por comboios de alta velocidade. Porque será que João Salgueiro e outros responsáveis portugueses (relativamente poucos, felizmente) pensam ao contrário e apenas se atêm aos aspectos financeiros deste investimento, por importantes que sejam? Por atavismo? Por "lusitanismo" ancestral? E as consequências económicas a médio prazo, não contam?

Em meu entender é por pequenez de alma e por diminuta ambição e desejo de acompanharem o resto da Europa. A tal "periferia" geográfica e mental de Portugal que deu os resultados que deu ao longo de Séculos ! Estamos para aqui à beira-mar plantados e mais ou menos isolados (apesar de toda a tecnologia actual...). Um exemplo: aqui em casa - e já aqui me referi a esta realidade noutro texto - ouço diariamente centenas de estações de rádio - especialmente as que transmitem noticiários e música erudita ou de Jazz - em todas as línguas da Europa, através do meu computador e da minha parabólica. Pois saiba-se que todas elas falam bastante de Espanha e da música espanhola ou inspirada em Espanha, e quase nenhumas falam de Portugal ou da música portuguesa (seja música erudita, seja de Jazz ou outra qualquer espécie de música). Só há uma, duas ou três excepções: de vez em quando há uma estação neerlandesa que lá vai transmitindo a Maria João Pires, que é realmente muito respeitada, como não poderia deixar de ser e, por vezes, a Amália Rodrigues, apesar de esta ter sido apenas intérprete de Fado. Outras duas excepções são uma estação Suiça e uma Alemã. Porém, todas elas transmitem muito escassamente música do nosso país ou sequer se referem a ele.

Os espanhóis são 40 milhões e nós 9 milhões? Pois mesmo em percentagem temos compositores suficientes para que fossem nomeados e transmitidos. Não, a razão é outra: é que eles, para efeitos culturais, consideram-nos de facto um país periférico. Não é que, como radialistas, como produtores de programas radiofónicos, não saibam eventualmente que Portugal tem compositores e intérpretes e quais são eles: Joly Braga Santos, Luis de Freitas Branco, Armando José Fernandes, Marcos Portugal, João Domingos Bomtempo, António Vitorino de Almeida, por exemplo, em relação aos primeiros. Mas... praticamente, não nos consideram, somos longínquos, não nos impomos e não lhes interessamos. Era isto que eu gostaria que se modificasse - e todos nós, certamente - COM TUDO O QUE FOSSEM LIGAÇÕES COM A EUROPA por TODAS as vias de comunicação rápidas. Há muita gente que vai a Madrid e que não gosta de viajar de avião. Inversamente, de Madrid até aqui seria um salto de 2 horas e meia em comboio rápido e confortável !! Não bastam os turistas que vão ao Algarve de avião... para desfrutarem o Sol e as praias !! Precisamos de que venha cá mais gente de cultura, de gente com outros interesses, para nos conhecerem melhor e assim nos sentirmos mais orgulhosos de nós por sermos falados e veiculados por essas ondas de rádio fora !! De sermos, enfim, mais conhecidos e respeitados. Por "ricochete" passaríamos também a ser mais veiculados em todos os restantes meios de cultura.

Hoje por exemplo (3 de Dezembro de 2010) milhares de passageiros de todas as companhias de aviação viram-se impedidos de viajar para os seus destinos por estar encerrado o espaço aéreo espanhol devido à greve "selvagem", sem aviso prévio, dos controladores aéreos espanhóis. Com todos os inconvenientes e incómodos daí resultantes. Se dispusessem de um TGV pôr-se-iam em Madrid e também nos restantes destinos (através dos TGVs espanhóis) num instante..."

É claro que a situação económica e financeira do país está séria e difícil (o texto acima, até "em todos os restantes meios de cultura"), já foi escrito há uns dois anos mas, repito, da União Europeia virão verbas importantes para a concretização deste investimento e todas as diversas empresas que "orbitariam" em torno da construção da linha iriam necessitar de muita mão de obra e criariam assim muitos postos de trabalho. Menos despesas com muitos dos subsídios de desemprego e factor de alavancamento contra a recessão económica.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

"Eu conheço um país", por Nicolau Santos, do Semanário Expresso

Pedindo licença a Nicolau Santos, Director - adjunto do Semanário Expresso, que publicou o texto abaixo na Revista "Exportar", transcrevo esse texto, pois sabe bem que Portugal possa exibir também estes excelentes exemplos positivos. Nos últimos anos, depois da nossa adesão à UE (União Europeia), é verdade que a nossa mentalidade se tem aberto a vários níveis, e que nos revelamos menos periféricos. Permanece porém o leitmotiv deste blog: infelizmente, do ponto de vista cultural, os nossos outros "conterrâneos" europeus raramente se referem a nós, ao contrário do que acontece relativamente a Espanha. Citarei mais tarde algumas excepções de que nos podemos orgulhar.Eis o artigo:


Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor do que a média da UE


Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores


Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus


Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento


Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a UE


Eu conheço um país que desenvolveu sistemas inovadores de gestão de clientes e de stocks, dirigidos às PME's


Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e para a Agência Espacial Europeia


Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas


Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial


Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça


Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis


Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis


Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade, que se encontram implantados em diversas partes do Mundo


O leitor,possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive:PORTUGAL


Mas é verdade.Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses


Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, OutSystems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial,Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, PortugalTelecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo


Há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, a Bosch, a Vulcano, a Alcatel, a BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e o tipo das que são vendidas em cada um dos estabelecimentos da cadeia em todo o mundo)


É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde...e que se atrasou em relação à média da UE,etc.


Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso


É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e de nos orgulharmos disso
(Acabou o artigo).


Porque é que esses técnicos e gestores tão bons não estão todos no governo, pergunto eu. Porque ganhariam menos e porque, saindo das empresas onde trabalham, estas passariam a destacar-se menos e a funcionar pior...