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sexta-feira, 25 de março de 2011

Sim! E agora, Portugal?


A imagem acima pretende recordar vivamente que estamos todos, praticamente o mundo inteiro ou, pelo menos, muitos países do Hemisfério Ocidental, perante uma crise económica e financeira global sem precedentes e que ainda ninguém sabe verdadeiramente onde nos vai levar. Que terá de haver uma inusitada transformação profunda dos sistemas económicos e financeiros ninguém duvida. Agora quanto à resposta possível para a nossa crise em particular, consiste ela, infelizmente, em mais sacrifícios, embora melhor distribuídos pelos estratos sociais que melhor os podem suportar. E não o aumento da taxa do IVA, conforme incongruentemente acaba de aventar o milagroso Pedro Passos Coelho. O mesmo que ainda há dias se recusava a admitir qualquer aumento de impostos. E logo o IVA? É que o IVA é realmente o imposto mais injusto porque afecta mais os que menos podem pagar. 2 pontos percentuais de aumento sobre a actual taxa de 23% afectam mais os que têm menores rendimentos e muito menos os que mais podem pagar. Estes não se importam de pagar 2 pontos percentuais a mais sobre a actual taxa de 23% num produto que lhes possa custar 1000 euros (ou seja, não se importam de pagar mais 20 euros) enquanto estes 20 euros afectam consideravelmente mais quem apenas tenha um rendimento mensal de 800 euros, por exemplo, em comparação com os, suponhamos, 20000 euros que aqueles outros auferem mensalmente. É essa a razão por que se diz que o IVA, que é um imposto indirecto, é socialmente injusto. A sua incidência nos salários, nos rendimentos, é regressiva. E é de espantar que quem na véspera se recusava terminantemente a admitir qualquer aumento de impostos porque isso iria conduzir a maior recessão económica, logo no dia seguinte os admita... Porquê? Porque os milagres que antes anunciava são impossíveis de concretizar. E aí virá - se vier, se os portugueses votarem maioritariamente nele, caso haja eleições dentro de cerca de 2 meses - um "PEC 4" ainda mais pesado. Especialmente para quem pode menos. A seguir virá a supressão do 13º e do 14º mês, etc. No fim de contas, o que acabará por suceder será a aplicação de medidas semelhantes às que o FMI acabaria por impor para supostamente salvar Portugal da bancarrota. Por isso o "salvador" nunca anunciou antes as medidas alternativas que iria aplicar... Nunca as anunciou. Foi também essa a razão porque, antes da votação em plenário na Assembleia da República, não quis negociar com o PS qualquer alteração ao PEC 4. Negociações que tantas vezes lhe foram propostas pelo Partido Socialista. E foi também por isso que Miguel Portas lhe chamou hoje em Bruxelas "um farçante". Esperemos que, se para 1º ministro vier a ser eventualmente eleito, e para bem de todos nós, desminta este apodo. É que Passos Coelho ainda é muito novo e ainda não possui verdadeira dimensão de Estadista.
M. César

segunda-feira, 14 de março de 2011

MAIS UMA CONSEQUÊNCIA DA NOSSA PERIFERIA

Mais uma consequência da nossa periferia... A decadência total. Há no passado belas canções de cariz político, e bem de esquerda. Basta que nos lembremos, em Portugal, de Zeca Afonso, de Vitorino, de Sérgio Godinho, de José Mário Branco e de vários outros também notáveis e, no estrangeiro, de tantos outros, especialmente em França. Esta "canção" (será mesmo uma canção?) não pertence a esse catálogo. Felizmente parece que há boas notícias. Aguardemos... "pá"... E se as boas notícias não se confirmarem, façam pelo menos bem a má figura "pá"... !

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quem só vê os aspectos negativos do 25 de Abril sofre de míopia e de saudades do salazarismo

Quem só vê os aspectos negativos do 25 de Abril, vê mal, sofre de miopia e de saudades do salazarismo.

Quem só vê os aspectos negativos do 25 de Abril e tem saudades do salazarismo não se recorda da PIDE, da extrema pobreza maciça que então havia e que era causada fundamentalmente por constrangimentos políticos só de origem interna (sim... ainda não havia esta crise internacional de que até os Estados Unidos da América, a primeira potência económica mundial, estão a sofrer. O presidente Obama anunciou ontem redução de salários, menor investimento em certas áreas do orçamento do próximo ano, etc. Não se recorda da Censura Prévia a todos os meio de comunicação social (que os jornalistas e a maioria dos cidadãos não apreciavam nada, e de que tanto se queixavam, claro), nem das violências brutais nas prisões contra os presos políticos, (é de comprar o livro há pouco publicado, escrito por uma Juíza de nome Aurora Rodrigues, intitulado "Gente Comum - Uma História da PIDE"), que passou por isso e lá descreve tudo por que passou em Caxias (cuspidelas na cara, bofetadas, violentos encontros contra as paredes, etc.), nem da vergonhosa taxa de analfabetismo, nem das eleições falsificadas, nem do partido único que era a vergonhosa União Nacional (que de união só tinha o nome) nem da farsa, ao estilo do fascismo italiano de Mussolini, que eram a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa, nem dos tantos eteceteras mais.

Quem só vê os aspectos negativos do 25 de Abril não vê os aspectos positivos dele:
1) Pertencer à Comunidade Europeia (hoje União Europeia) é ter avançado em muitas áreas da vida nacional. É ter acesso aos fundos europeus e ao financiamento do Banco Central Europeu de que necessitamos porque produzimos e exportamos pouco. E produzimos e exportamos pouco porque muitos portugueses trabalham pouco (salvé as honrosas excepções) falta-lhes imaginação, e pensam maioritariamente  em futebol, no Sporting, no Benfica e no F. Clube do Porto...
2) Pertencer à União Europeia é ter lá a trabalhar milhares de portugueses, em Bruxelas e noutros países, que para cá enviam os seus rendimentos. Bruxelas de que há um PPS que hoje recebi e da qual, ignorantemente, diz mal. Entristecido por, diz ele, termos perdido uma parte dos nossos soberanos poderes legislativos nacionais, como se isso não aconteça com todos os países que a ela pertencem (até com a Alemanha, país sempre tão cioso da sua soberania). E a unificação da legislação, a sua uniformidade, não é um activo?
3) Pertencer à União Europeia é termos hoje legislação da mais avançada, a par do Direito Europeu, em todas as áreas da vida quotidiana
4) Pertencer à União Europeia é poder cada um deslocar-se por todos os países dela sem necessidade de passaporte
5) Pertencer à União Europeia é estarmos de costas muito menos voltadas para a Europa a que pertencemos e para a sua cultura, postura que, antes, já acontecia há séculos !!!
6) Pertencer à União Europeia é a nossa cultura ser hoje mais conhecida na Europa (ainda hoje ouvi a, até há pouco directora do Instituto Camões em Paris, falar da quantidade de espectáculos com artistas portugueses que hoje acontecem em França. Bem como das mais diversas actividades culturais portuguesas que hoje sucedem em França).  Pertencer à União Europeia é ter orgulho nisso e não do contrário que, isso sim, nos envergonhava.
7) Pertencer à União Europeia é poder exportar para lá os nossos produtos sem eles terem de pagar taxas aduaneiras
8) Pertencer à União Europeia, e estarmos livres da ditadura salazarista, é hoje podermos pertencer às Nações Unidas e a todos os organismos internacionais dela dependentes.
9) Pertencer à União Europeia é hoje possuirmos Internet, o mais poderoso meio de comunicação social a nível global até hoje inventado, sem que ela seja censurada, e até podermos enviar uns aos outros o vergonhoso PPS que me enviaram hoje, e que, vê-se bem, foi escrito por alguém de extrema direita, saudoso do inefável Salazar o - para ele - salvador da Pátria que nos envergonhava aos olhos do mundo civilizado, e a quem, o autor desse PPS, eu gostaria de retorquir por mail se conhecesse o seu endereço electrónico.
Enfim, farto de antiquados estou eu, pois este país sempre foi um país de saudosos da ditadura, de periféricos de costas voltadas para a cultura europeia e de gente que nunca gostou de mudanças, fossem elas quais fossem. A única época da nossa História em que o país mudou profundamente (além do 25 de Abril) foi a época dos nossos gloriosos Descobrimentos marítimos. Gloriosa época que, infelizmente, deu depois origem à exploração colonial (cujos pormenores vergonhosos se podem consultar na diversa literatura existente sobre o assunto e a que assisti até aos 18 anos de idade, em Angola), ao regime do indigenato, às guerras coloniais onde se matou tanta gente e onde tantos portugueses perderam a vida às ordens de um ditador míope. Colónias de onde saímos derrotados, depois de todos os outros países europeus também possuidores de colónias já terem saído delas por terem entendido a realidade muito mais cedo. Que a descolonização portuguesa se tenha acabado por realizar aos "solavancos" e com o sofrimento de tanta gente que das colónias teve de regressar à pressa deveu-se à teimosia de um ditador sem o entendimento da História.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Já se experimentou de tudo...



Já se experimentou de tudo... A economia liberal de mercado ou capitalismo puro e simples, e a economia socialista; o comunismo marxista-leninista, as economias mistas (um pouco de cada uma...), a social-democracia; etc. Quanto ao comunismo, a ex-União Soviética extinguiu-se e os russos acabaram por desistir dele, depois de o Estado soviético ter sido o que mais o propagandeou pelo mundo fora. Hoje, a Rússia é um Estado capitalista. Ao que parece, os russos concluíram que aquele sistema económico mais não era do que uma formosa e insustentável Utopia. Isto sem falar dos degradantes aspectos políticos e humanos que sempre ensombraram aquele sistema.
Nenhum destes sistemas resultou plenamente, e neste momento ninguém sabe lá muito bem onde vai arribar a economia mundial. O capitalismo nunca se assumiu como Utopia humanista - impossível lhe seria disfarçar-se disso - e sempre se apresentou como mecanismo puro e simples de produção e venda, e de insaciável mecanismo de obtenção de lucros máximos, sempre máximos, sempre em busca da produtividade e da rentabilidade máximas, sem outras preocupações que não eles, os ditos lucros, e elas, a produtividade e a rentabilidade máximas... (como o estão a fazer os chineses, num país dito comunista, de exploração máxima do factor trabalho, onde os trabalhadores nem sequer dispõem de sindicatos que defendam os seus interesses). Pouca ou nenhuma ética entra nisto. Poucos ou nenhuns valores éticos entram nisto. Só adventícia e aleatoriamente isso acontece.
No presente vive-se da dívida... Nós "exportamos" a nossa dívida. Os prestamistas aumentam as taxas de juro e as dívidas crescem... Não há sistema económico nem sistema financeiro que aguente assim muito tempo. Qualquer que ele seja. O sistema bancário abusa mas tremelica... Em 2010, só nos Estados Unidos, faliram 111 Bancos e espera-se que neste ano de 2011 o número de falências bancárias seja ainda superior. Talvez tenhamos de regressar à economia de trocas, sem existência da invenção que foi o dinheiro, o sistema monetário... É que, numa situação assim, o papel-moeda deixa de ter significado e passa a ser uma abstracção. Assim como as barras de ouro, que brilham e rebrilham mas não dão fruto em termos produtivos. Apenas beneficiam os especuladores e podem representar a última garantia da solvabilidade de um Estado. E lá se vão os Bancos e os seus lucros desmesurados.
Já tivemos situação análoga em 1929: foi a Grande Depressão. The Big Crash. Eis aqui um interessante vídeo (com som) acerca do que ela foi (aguardar um pouco. O vídeo acabará por surgir um pouco depois de se clicar sobre o link abaixo):

http://www.pbs.org/wgbh/americanexperience/films/crash/player/

Será que o Criador terá de criar um novo Homem, com outros valores e bens menos físicos e materiais? Difícil será convencer este último a ser feliz sem os actuais e múltiplos bens físicos !! Mas poderá não haver alternativa senão a "Pedra lascada"... Deixo a sugestão à reflexão do Criador ! Aqui para nós, Ele, que é a sabedoria máxima, bem podia ter previsto o que se está a passar e, assim, livrar-nos de mergulhar num imbróglio destes... conferindo-nos almas menos insaciáveis.
Os tempos não estão para brincadeiras... Naqueles anos saiu-se da Grande Depressão (ou Big Crash) com as políticas do New Deal, implementadas pelo Presidente Franklin Delano Roosevelt nos Estados Unidos:  
- promoveu-se a destruição dos stocks excedentários de produtos agrícolas, como algodão, trigo e milho, a fim de conter a queda dos respectivos preços;
- promoveu-se o controlo sobre os preços e a produção, para evitar a superprodução na agricultura e na indústria;
- promoveu-se a diminuição do número diário de horas de trabalho, com o objectivo de criar novos postos de trabalho. Por outro lado, fixou-se o salário mínimo e criaram-se o seguro-desemprego e o seguro-velhice (para os maiores de 65 anos). As políticas de intervenção estatal ou pública começaram a ser adoptadas primeiro nos Estados Unidos, com o anúncio  de uma série de medidas pelo presidente Franklin Roosevelt, as medidas referidas acima (New Deal ou Novo Acordo, Novo Contrato ou Novo Regime) medidas essas que foram sendo concretizadas a partir de 1933. Eis as mais importantes:
  • o controlo dos Bancos e instituições económicas e financeiras;
  • a construção de obras públicas, como certas infra-estruturas, para a criação de empregos e para o incremento do mercado consumidor;
  • a concessão de subsídios e de crédito agrícola a pequenos produtores familiares;
  • a criação da Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos;
  • o controlo da corrupção no governo;
  • os incentivos à criação de sindicatos para aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e a facilitação da defesa dos novos direitos instituídos.
Este tipo de medidas (quase todas, ou mesmo todas, de carácter social) era impensável até aí numa economia liberal e foi então que surgiu o keynesianismo - de John Maynard Keynes, economista britânico - que o explicou na sua obra Teoria geral do emprego, do juro e da moeda - General theory of employment, interest and money, teoria que veio a ser contestada mais tarde, principalmente porque continha ideias e fórmulas que se opunham a certos grandes interesses económicos estabelecidos, como o investimento público em grandes obras, e o intervencionismo público na fixação de taxas de juro, por exemplo, para estimulação da economia.
 

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Não há dúvida que é de lamentar. Quem poderia não o apreciar?
Um grande jornalista e um homem de vasta cultura e bom gosto. Falta colocar aqui a sua biografia e referir a sua vasta obra.

"Ministério da Cultura lamenta morte de Carlos Pinto Coelho

Lisboa, 16 dez (Lusa) -- O Ministério da Cultura lamentou hoje a morte do jornalista Carlos Pinto Coelho, ocorrida na quarta-feira, em Lisboa, na sequência de complicações de uma intervenção cirúrgica de urgência.
"Prestigiado jornalista", Carlos Pinto Coelho "trilhou um percurso de mais de quatro décadas na imprensa, na rádio e na televisão", refere um comunicado do Ministério no qual a ministra e o secretário de Estado expressam, em seu nome pessoal e do Governo, profunda consternação e pesar pela morte do jornalista.
"A ação muito relevante que desenvolveu em prol da divulgação das artes, da cultura e da língua portuguesa, mas também da cultura lusófona, são reflexo de um homem culto e sensível, profundo humanista e comunicador nato, que cultivou um estilo muito próprio e cujo súbito desaparecimento empobrece insanavelmente o panorama cultural português", acrescenta o documento."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Mais de 500 mil trabalhadores portugueses em risco de pobreza

Um estudo do Observatório das Desigualdades do ISCTE revela que mais de 500 mil trabalhadores portugueses estão em risco de pobreza. Esta é uma das principais conclusões do estudo apresentado no Auditório Afonso de Barros, no ISCTE-IUL, Ala Autónoma, no livro “Desigualdades Sociais 2010. Estudos e Indicadores”.

O estudo, divulgado em forma de livro pelo Observatório das Desigualdades do ISCTE, com apresentação de Jorge Sampaio e Diogo Freitas do Amaral, alerta para os mais de 500 mil trabalhadores que estão bem perto de atingirem o limiar da pobreza, mas também para o facto de quase um quarto dos menores de 18 anos viver em situação de pobreza.

O livro «Desigualdades Sociais 2010. Estudos e Indicadores», coordenado por Renato Miguel do Carmo, revela ainda que Portugal é um dos países da Europa em que mais se nota a disparidade da distribuição de rendimentos.

Para os autores do estudo, o desemprego é actualmente a questão central que Portugal enfrenta porque há o sério risco de contribuir para uma sociedade mais desigual e de agravar os problemas estruturais de país.

No estudo é ainda revelado que o rendimento e a escolarização dos trabalhadores portugueses estão muito aquém da média da União Europeia e a situação tornou-se um ciclo vicioso que leva à pobreza já que "a distância que Portugal tem em relação a outros países é muito grande".

O coordenador do projecto revelou em declarações à agência Lusa que "Portugal sempre se caracterizou por ter salários baixos e, portanto, ter um contrato de trabalho estável não quer dizer que tenha um rendimento razoável. Há muita gente empregada em situação de pobreza".

Os baixos salários e a diminuta escolaridade dos portugueses são ainda, segundo Renato Miguel do Carmo, "os dois grandes motores das desigualdades em Portugal" e "um ciclo vicioso que tem repercussões ao nível da pobreza, do desemprego, da mobilidade social e o que nós queremos é chamar a atenção para este carácter de permanência das desigualdades".

O Observatório das Desigualdades revela ainda na apresentação do livro que este teve “como princípio orientador o equilíbrio entre a necessidade de, por um lado, promover uma divulgação mais alargada de informação estatística relevante e de, por outro lado, integrar um conjunto de contributos diversificados que, a partir de investigações realizadas ou em curso, desenvolvam análises mais pormenorizadas sobre diferentes sectores da sociedade”.

Os dados revelados referem-se a informação disponibilizada recentemente pelos diversos institutos e organizações nacionais e internacionais e que as “cinco áreas temáticas abordadas revelam precisamente esse carácter multidimensional das desigualdades: disparidades de rendimento, pobreza, emprego e desemprego, educação e saúde”.

A maior parte dos contributos refere-se a investigação desenvolvida nos três centros que formam o Observatório das Desigualdades e focam temáticas tão diferenciadas como a pobreza, a educação (em vários ciclos de ensino), a saúde, a precariedade, o desemprego, a imigração, os territórios (incidindo sobre diferentes escalas), as diferenças de género, as classes sociais, etc.

(Texto retirado de noticias.rtp.pt)

 

Já era sabido, mas está aqui a confirmação

Growing US budget deficit is the greatest threat to the country's prosperity and security, President Obama's Debt Commission warned, as it recommended sweeping spending cuts and tax reforms
Tradução:
O crescente défice orçamental dos Estados Unidos é a maior ameaça à prosperidade e segurança do país, alertou a Comissão da Dívida do Presidente Obama, ao recomendar cortes generalizados na despesa e reformas fiscais

sábado, 30 de outubro de 2010

ÍNDICE DE SUSTENTABILIDADE ECONÓMICA DE PAÍSES EUROPEUS

Índice de Sustentabilidade Económica de Países Europeus
Repare-se nas situações de Portugal, Itália e Grécia. A insustentabilidade da nossa economia significa que enquanto tivermos esta estrutura produtiva, enquanto não exportarmos mais produtos de elevado valor acrescentado, enquanto não importarmos menos produtos dispensáveis porque os produzimos cá com igual ou superior qualidade, teremos de viver de empréstimos externos. E não sairemos deste círculo vicioso e cada vez mais destrutivo. Ou seja, o nosso PIB terá de aumentar ainda muito e isso irá requerer a passagem de ainda muitos anos.  Temos de começar já ! O que se pode dizer pois, em resumo, relativamente ao nosso país? Que é necessário criar todas as condições para atrair investimentos PRODUTIVOS nacionais e estrangeiros. E quais serão elas? Desburocratização, ainda maior aceleração de autorizações de instalação e de início de actividade, boas comunicações mesmo no interior rural, fiscalidade razoável, apoio técnico e tecnológico intenso, maior celeridade no funcionamento das instituições judiciais e da consequente aplicação da justiça, estudo comparado dos processos administrativos e da legislação desta área nos outros países da União Europeia, etc. Trata-se de evidências... óbvias. Porque não atraímos muitos mais investimentos? Porque não os criamos nós próprios? É urgente descobrir a razão. Podemos continuar a ter uma economia insustentável conforme revela a tabela abaixo? Não é possível. Ou encontramos a solução, ou desapareceremos como país independente e soberano!
Ah! E se pensássemos a sério em gozarmos de menos feriados? Cada dia de feriado custa-nos milhões !!

EPC  - European Policy Center
Executive summary

In the light of the unprecedented turmoil in the euro-zone and the uncertainty over what the future holds, it is important to not only understand the current pressures on publíc finances but also the medium- to long-term factors which will affect the economic stability and sustainability of EU countries in future. The long-term competitiveness of European economies, their governance and their ability to carry out structural reforms to cope with long-term challenges will all influence whether countries have a sustainable economy in the long run. This will also determine the success or failure of the euro.
To assess the economic sustainability of Europe's economies, the EPC has developed an index to assess simultaneously the short-, medium- and long-term economic sustainability of EU countries relative to each other. This index is constructed using six domains: deficits, national debt, growth, competitiveness, governance/corruption and cost of ageing.
The results for the European Economic Sustainability Index (EESI) for 2010 are shown below:
                       Score       Rank          Group            Rank              Euro?
                                              2010                                  2007
Sweden                0.55            1              TOP                  8
Denmark              0.45            2              TOP                  4
Estonia                 0.45            2               TOP                  1                 Euro 2011
Finland                 0.42            4               TOP                  4                 Euro
Netherlands         0.28            5               HIGH                9                 Euro
Germany              0.24            6               HIGH              15                  Euro
Luxembourg        0.24           6               HIGH                7                  Euro
Austria                  0.20           8               HIGH              13                  Euro
United Kingdom  0.07           9              MIDFIELD         11
Czech Republic   0.05         10             MIDFIELD         17
Slovakia               0.03         11              MIDFIELD          10                 Euro
Poland                  0.02         12              MIDFIELD         15
Belgium               -0.01         13              MIDFIELD        22                  Euro
Bulgaria               -0.02         14              MIDFIELD        12
France                 -0.03         15             MIDFIELD         20                  Euro
Ireland                 -0.08         16             IN DANGER        3                  Euro
Slovenia               -0.09         17             IN DANGER     19                   Euro
Cyprus                 -0.10         18              IN DANGER     23                  Euro
Lithuania             -0.13          19             IN DANGER        6
Malta                    -0.15          20            IN DANGER       21                  Euro
Hungary              -0.17           21            IN DANGER      24

Romania              -0.19          22            IN DANGER       18
Latvia                   -0.22          23           IN DANGER         2
Spain                   -0.23           24           IN DANGER       14                  Euro
Portugal              -0.29           25        UNSUSTAINABLE  25                Euro
ltaly                      -0.38          26        UNSUSTAINABLE  27                Euro
Greece                -0.93          27        UNSUSTAINABLE   26                Euro

                            

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Medidas de austeridade do governo britânico para a quase total eliminação do défice externo do Reino Unido

Quem diria? A notícia foi transmitida nalguns noticiários das nossas televisões e rádios, mas o relevo que lhe foi dado depois foi quase nulo. Será bom que todos nos apercebamos de que até um país que foi um grande Império a nível mundial (senão o maior deles) está a passar por dificuldades económicas e financeiras muito graves.Toda esta crise internacional, esta crise deste e daquele país, acaba também por se repercutir nos demais, dado que haverá uma contracção nas importações e exportações mútuas. Aos factores de recessão internos a cada um acrescenta-se este outro factor resultante da interligação entre todas as economias.

Eis a notícia:

"O governo britânico apresenta na quarta-feira o plano de cortes para a quase total eliminação do défice, abrindo a porta a uma "era de austeridade" e, segundo os críticos, a uma nova recessão.
Depois de em Junho ter anunciado o aumento de impostos como o IVA para angariar mais receitas, o ministro das Finanças vai explicar como pretende poupar 83 mil milhões de libras (95 mil milhões de euros) em cinco anos.
Preocupado com a instabilidade dos mercados financeiros e com o rating da dívida britânica, George Osborne quer fazer o défice cair rapidamente de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009/10 para apenas dois por cento.
Este "emagrecimento" da despesa pública vai implicar reduções de, em média, 25% em todos os ministérios, com excepção dos da saúde e da cooperação internacional.
O plano é o resultado de semanas de negociação, que criaram momentos de tensão entre Osborne e outros ministros, nomeadamente da Defesa e da Segurança Social.
Algumas medidas já são conhecidas, como o fim do subsídio de família para os agregados familiares com maiores rendimentos a partir de 2013.
Todavia, ainda não foi detalhada a dimensão dos cortes, por exemplo, nas forças de segurança e noutros serviços públicos.

Um milhão de britânicos ficarão sem emprego

Um estudo da PricewaterhouseCoopers (PwC), divulgado nos últimos dias, estimou em perto de um milhão o número de pessoas que vão perder o emprego na sequência das medidas, metade das quais no sector privado.
Empresas de áreas como a defesa e a construção, muito ligadas às encomendas públicas, serão as mais prejudicadas, adiantou a consultora.
Embora mais governos europeus estejam a introduzir medidas de austeridade, o ritmo britânico é considerado o mais radical e também arriscado por alguns críticos.
"A estratégia de austeridade da coligação" entre conservadores e liberais, denunciou Alan Johnson, o responsável pela pasta das Finanças no partido trabalhista, "constitui um risco enorme em termos de crescimento e empregos".
Em vez de eliminar o défice em quatro anos, Johnson defende a redução para metade no mesmo período, evitando um choque tão grande para a economia.
Também David Blanchflower, ex-membro do Banco de Inglaterra e um dos que advertiu para o risco da crise financeira, alertou para o perigo de uma "dupla recessão".
Segundo este economista, "a última coisa a fazer numa recessão é piorar as coisas".

O Nobel da Economia critica medidas radicais:
Outro preocupado com os cortes "demasiado grandes e demasiado rápidos" é Cristopher Pissarides, um dos vencedores do Prémio Nobel da Economia deste ano. "Se for feito tão subitamente, muitos trabalhadores podem perder os seus empregos e então haverá um problema em colocá-los em novos empregos", afirmou, enquanto que, se for mais gradualmente, as "pessoas podem encontrar novos empregos, ao mesmo tempo que outras perdem os delas".
Mas os líderes de 35 das maiores empresas britânicas, como Marks&Spencer, BT e GlaxoSmithKline, mostraram-se favoráveis ao plano do governo. "Reduzir o défice mais lentamente significaria pedir mais emprestado todos os anos, uma dívida pública maior e por isso gastos mais altos para o pagamentos dos juros", sustentaram.
Um estudo da consultora Ernst&Young desta semana previu um desaceleramento da economia britânica, seguido de crescimento sustentado".


Do "Diário de Notícias - Economia" de 26 de Outubro de 2010